..:: Breaking the Ice - Cap. II ::.. Por que? - Pg - 12

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Mensagem por Convidad em Sex Mar 23, 2012 11:00 am


    Spoiler:
    A fic conta a história de um encontro nada amigável entre Sara e Raphael e foi escrita com a autorização de ambas as Off. Não tem nenhuma relação com o enrendo atual do Rpg.

    Após um mês depois de um primeiro encontro turbulento, Raphael decide que é hora de colocar Sara no lugar dela: como seu brinquedinho. O que ele não esperava era que a garota reagiria a ela, não aceitando seus provocações, replicando. O encontro despertar em Sara pela primeira vez a sede de sangue, mas isso vai ter um preço muito alto. Laços que não podem ser rompidos estão prestes a nascer e tudo por uma tola disputa por espaço.

    Para quem quiser ler o capítulo 1 que conta coma visão de Raphael Grifftis da cena: https://www.fanfiction.com.br/historia/206653/Breaking_The_Ice/capitulo/1

    Trilha sonora (não se deixem enganar):


    Breaking the Ice - Capítulo II - Por que?

    Então a morte era fria? Ela corria por suas veias e ao invés de impulsionar seus orgãos ela simplesmente congelava cada centímetro que percorria de seu corpo, levando tudo que você podia guardar dentro de você, levando você.

    Sara sentia que sua existência estava se esvaindo a medida que o sangue de Raphael corria por suas veias, preenchendo-a, entrando em cada parte de seu corpo, em cada parte que ela queria manter oculta dele, mas o destino parecia que a expunha do pior modo possível, sempre colocando Raphael em seu caminho como se fosse algo inevitável.

    No fundo seria mais justo morrer de arrependimento, afinal se ela pudesse escolher, ela nunca teria esbarrado nele na entrada da cafeteria, ela não teria dito nenhuma palavra sobre o quanto ele parecia idiota parado ali olhando a outra garota ir. Por que ele simplesmente não fora atrás dela?

    Há quanto tempo aquilo acontecera? Um mês? Ela não sabia ao certo porque no fundo tudo o que ela queria era esquecer aquele episódio, esquecer que Raphael existia e que todas as noites ele era o ator principal numa série de pesadelos que ela tinha. Por mais que ela fingisse que ele não estava lá ela tinha a plena consciência de que ele estava, ela podia sentir no ar frio, ela podia sentir em tudo o que tocava, como se ele tivesse tocado antes apenas para deixar sua presença ali.

    Naquela noite não foi diferente, enquanto calçava seus patins e encarava o gelo que fazia um vapor gelado subir, deixando a ponta de seu nariz e suas bochechas vermelhas, ela sabia que ele estava ali, sabia que estava a assistindo como um amante espectador, mas com certeza seus olhos não exprimiam nenhum sentimento relacionado ao amor.

    Por que ele estava ali? Não era ela quem o estava procurando, não era ela quem estava querendo cruzar o caminho dele ao menos uma vez por noite desde o primeiro encontro. Ela queria ao contrário, ela queria que seus caminhos seguissem paralelos para sempre e que nunca mais se encontrassem.

    Ela fechou os olhos e respirou fundo, tentando deixar sua expressão o mais neutra possível, fingindo que não havia sentindo a presença dele desde o instante em que entrara no rinque. Ela sequer precisava sentir, ela sabia que ele estaria ali.

    Ela se levantou, sentindo os joelhos vacilarem e mordendo o lábio inferior, praguejando-se por dentro por deixar-se intimidar tão cedo pelo seu espectador. Tudo bem ele estava ali como todas as outras noites, o que isso poderia ter de diferente? Ele continuava a odiar ela do mesmo modo e ela tinha certeza que ele estaria se perguntando porque ela insistia em andar sobre o gelo. Provavelmente na mente egoísta e egocêntrica dele o único motivo para que ela fizesse alguma coisa assim era simplesmente o fato de poder pisar e riscar a perfeição gelada da pista, poder se sobrepor a ela, deixá-la sob seus pés, assim como ele provavelmente achava que ela gostaria de fazer com ele.

    Era melhor esquecê-lo, ela estava ali para relaxar e não para deixar-se envolver por ele. O gelo que a envolvia nada tinha a ver com Raphael e ela não podia pensar nele por mais tempo do que já havia pensado.

    Aos poucos ela ganhou velocidade e então alcançou o centro da pista, as luzes dos postes iluminando-a por completo, holofotes em seu palco de gelo. Ela pegou um novo impulso e fechou os olhos, deixando a sensação de praticamente voar a envolvê-la, esquecendo-se de Raphael, exatamente como desejava, mas ele estava ali e fazia questão de lembrá-la disso.

    A pergunta dele fez o frio da pista subir para seu corpo, a sensação de uma pontada em seu estômago enquanto ela tornava a abrir os olhos e se virar nos patins, freando bruscamente, uma fina camada de gelo subindo na pista reta. Tudo o que ela via na arquibancada era apenas o ponto vermelho da ponta do cigarro, na posição em que estava os holofotes praticamente a cegavam para o resto, mas ela já conhecia o olhar dele. Ela odiava ao olhar dele.

    - Quando você vai me deixar em paz? Seu egocentrismo barato já está me cansando! - ela sentiu o ódio queimar nas veias quando ele a chamou de amante de mundanos. Quem ele pensava que era? Ele era o filho de uma humana, como ela, mas ele não podia aceitar isso.

    Sara passou as mãos pelos cabelos, tetnando se acalmar com aquele gesto, sua mão caindo distraidamente para o pescoço, exatamente no ponto onde ele a havia mordido naquele fatídico primeiro encontro. Ela sentiu a pele arder, como se mais uma vez os lábios dele passeassem ali e ela sentiu vontade de passar as unahs pela pele, de ferí-la novamente apenas para se livrar daquela sensação.

    Outra frase dele e Sara sentiu uma onda de desânimo invadí-la, deixando as mãos cairem ao lado do corpo enquanto tentava encará-lo, sentindo o frio arder em seu rosto numa estranha espécie de febre. Ele estaria fazendo algo ou era só o fato do contraste entre a luz quente e forte dos holofotes da quadra e do frio contra o corpo dela?

    Ela deixou um suspiro cansado escapar por seus lábios, mordendo o lábio inferior em seguida. Ela não queria respondê-lo, ela não queria dizer que o culpado de tudo aquilo era ele com toda sua arrogância. Ela queria dizer que eles eram iguais e se ele queria respeito das pessoas ele também teria que dar respeito e isso era algo que ele não parecia disposto a fazer.

    Talvez se ela tentasse naquele momento pedir as desculpas que pensou em pedir. Não, ela pensava naquilo toda a vez que amanhecia e quando chegava na metade do dia o ódio por ele já estava queimando em suas veias a tal ponto que ela só conseguia pensar em como ofendê-lo.

    "Papai... mamãe... me perdoem... você vão ficar tão decepcionados..." - ela deixou a franja cobrir seus olhos castanhos, talvez tivesse mais chances se Raphael não conseguisse ver todas as grosserias que ela estava pensando em lhe dizer em seus olhos.

    "Você... quem é você Raphael? Quem é você se não o filho de uma humana e um vampiro? Um mero mestiço, assim como eu? Quem é você afinal que acha que tem o poder de um puro? Como eu gostaria que você mordesse a língua e se engasgasse com seu próprio veneno... como eu gostaria de te matar!" - seus pensamentos gritavam e ela fechou as mãos em punho. Apesar de tudo sabia que nunca seria capaz de matá-lo, Sara era incapaz de ferir alguém, ela não fora criada para viver no mundo em que Raphael vivia. Ela respirou fundo mais uma vez, era melhor responder vossa majestade.

    - Eu não faço parte da sua vida, nunca vou respeitá-lo! - fora o melhor que conseguira afinal, estava muito longe de tudo o que queria realmente dizer, estava muito perto da realidade. Ela não fazia parte da vida dele, do mundo dele e ela nunca entenderia um mundo tão injusto quanto aquele.

    Ela se virou, era o fim da entrevista, seu rosto doía pela sensação de quente e frio e seu peito ardia pela raiva que sentia dele, era melhor parar enquanto ela ainda estava sobre as próprias pernas, enquanto ele não descia até ela e tentasse colocá-la no lugar que ele achava que ela deveria estar.

    - Quem é você afinal? - ela deixou o sussurro escapar de seus lábios, mas ele com certeza não ouvira.

    Seu corpo estremeceu, mesmo de costas ela podia sentir o olhar dele, ela podia imaginar como ter virado as costas havia ferido o ego daquele ecogênctrico idiota e como ele deveria estar contando até dez para pular ali na pista e arrancar as respostas da boca dela, do pior modo possível.

    Ela tornou a fechar os olhos, deixando seus passoa a guiarem sem rumo pela pista. Sabia os limites, já havia decorado cada esquina daquele lugar, sabia onde tinha que virar e até onde poderia ir para ficar longe o bastante dele, longe o bastante para que ele simplesmente deixasse de existir e ela pudesse se fechar em seu próprio mundo.

    Mais uma vez, como se adivinhasse exatamente o momento em que os pensamentos de Sara se desprendiam dele, ela ouviu a voz de Raphael, próxima, a fazendo estacar, abrir os olhos assustadas enquanto o via surgir em meio a névoa que sobria a pista. Ela engoliu uma longa golfada de ar, sentindo o peito doer pelo frio. Ela encolheu os ombros, ela sempre se encolhia quando ele estava assim tão próximo, o medo inconsciente que tinha de morrer e decepcionar os pais, o medo inconsciente que tinha da dor que o simples toque de Raphael provocava. Ela não escapou aquela sensação.

    As mãos dele envolveram seus braços e mesmo sob a pesada blusa de lã que usava ela sentiu a pele arder, como se estivesse em contato com o gelo da pista, como se estivesse em contato com a pele dele. Tão frio, tão doloroso. Um gemido baixo escapou de seus lábios, a dor parecia avançar até seus ombros e depois até as pontas de seus dedos. A próxima frase dele deixou claro o quanto ele estava irritado, o quanto estava cheio de ódio por ela.

    – O que você quer de mim? Para de me infernizar, se quer me matar, porque não mata logo? Idiota! - ela tentou num movimento inútil erguer as mãos, agarrando as abas da jaqueta que ele usava, era a mesma jaqueta do primeiro dia, ela nunca esqueceria aquilo. Seu corpo todo tremia, tanto pela dor quanto pela raiva. Por que ele simplesmente não terminava com aquilo de uma vez? Por que não aproveitava que estavam apenas o dois e então arrancava o coração dela. Em poucos segundos ela seria apenas um monte de cinzas no chão.

    Ela o encarou, engolindo toda a saliva que se juntava em sua boca. Ah como queria cuspir naquele rosto,a quele rosto que tantas garotas achavam perfeito e ela só conseguia repudiar.

    Ela recuou o rosto quando ele se aproximou para responsdê-la, para dizer que ela era o brinquedinho dele, como se ela não soubesse disso, como se não fosse humilhante demais saber disso.

    O hálito dele bateu frio contra o rosto dela, fazendo-a fechar os olhos por um segundo para abrí-los em seguida, o encarando com raiva. Ele tinah razão, não importava quanto ela escondesse, ele sempre conseguiria ler no olhar dela o que ela sentia por ele.

    Ela sentiu seu estômago se apertar quando encontrou o olahr dele, sentiu que todo o ódio que sentia parecia se juntar em sua garganta,fazendo-a arder, fazendo-a se esquecer de tudo por um momento. Ela não queria mais ser o brinquedo dele, ela queria colocar um fim atudo aquilo. Um mês, um longo mês com ele a cercando de todas as formas, sem nunca atacar, sem nunca atacar de verdade.

    Ela recuou o rosto e então o impulsionou para frente, cuspindo no rosto dele com toda a força que conseguia, sentindo os lábios rachados pelo frio arderem pela saliva quente, tão quente quanto o ódio que ela sentia por ele. Ela sabia que aquele seria seu fim, se ele nunca atacara, agora com certeza ele iria atacar, mas ao menos aquilo teria um fim.
    A pressão do aperto em seus braços aumentou, fazendo seus ossos estralarem, sua carne parecendo ceder ao aperto do vampiro, ao gelo de seu toque, a dor subindo em uma única vez, fazendo seus joelhos fraquejarem.

    Os gritos de dor escparam antes mesmo que ela pudesse contê-los, afinal dar a Raphael o gosto de ouví-la sentir dor era a última coisa que ela queria.

    Ela escorregou nas lâminas dos pastins, seu corpo sendo deitado lentamente sobre o gelo, sentindo então ele prender as pernas dela com uma única perna e prender seus pulsos com facilidade, como se ela não fosse como ele, agora que ele estava ali sobre ela ela tinha certeza de que ele não era.

    Ela o olhou aterrorizada, toda a coragem que a impulsionou ao ato agora havia se esvaído e dado lugar ao frio que ela sentia envolvê-la e que tornava tudo pior.

    - Não! Não! - ela gritou desesperada, implorando para que ele não lhe fizesse nada, para que lhe desse ao menos uma chance, se é que ela tinha alguma chance.

    Ele se aproximou, prendendo o olhar dela ao seu, impedindo-a de virar o rosto. Silêncio, ele sequer respirava enquanto a encarava daquele modo, enquanto a raiva e o ódio que ele tambéms entia por ela dançavam em seus olhos infinitamente azuis. Eles seriam capazes de encantar qualquer garota, mas para Sara eles significavam apenas a morte. No fundo, uma aprte dela desejou ler a mente dele, o que estava passando pela cabeça de Raphael agora que ele estava prestes a matá-la.

    Ela estremeceu quando os lábios dele finalmente se moveram e ele a chamou de vadia. No fundo aquilo não a surpreendeu, na verdade era algo até mais leve do que ela esperava, seu rosto ainda estava intacto afinal, seu coração ainda estava dentro de seu peito.

    Ela respirou pelos lábios entreabertos, sentindo o ar frio entrar-lhe pela garganta enquanto uma idéia louca surgia em sua mente. E se ela o mordesse? Se ela o atacasse e o surpreendesse talvez tivesse uma chance de fugir. Ela passou a língua pelos lábios, sentindo as presas arranhá-la. Ela nucna havia feito aquilo, ela nunca havia atacado alguém antes.

    Seu pai sempre lhe dera sangue e Sara sequer chegou a sentir sede em sua vida, estava sempre cercada de cuidados, estava sempre protegida pelo abraço do próprio pai, um vampiro muito acima do que ela e Raphael jamais seriam, um vampiro que nascera vampiro.

    A pergunta dele deixou claro que ele notara as intenções dela. Como ele era capaz? Era como se ele a conhecesse muito mais do que ela jamais imaginara que alguém fosse capaz, além de seu próprio pai.

    - Não! - ela tentou negar, sentindo as lágrimas encherem seus olhos. Como pudera pensar em algo tão estúpido como aquilo? O que ela achava que conseguiria afinal?
    Ela sentiu Raphael congelar seus pulsos, prendendo-a na pista e num esforço inútil ela tentou se livrar do gelo, ralando a pele fina, manchando o gelo com um vermelho claro que logo se escureceu por conta da temperatura.

    Ela o olhou, sentindo o pânico aumentar quando percebeu o que ele estava fazendo, quando o viu morder o próprio pulso e se aproximou. Laços, laços de sangue que não podiam ser quebrados com facilidade. Ela nucna beberia o sangue dele.

    Ele precionava o pulso com tanta força que logo o rosto de Sara começou a doer, marcas vermelhas sobressaindo na pele que começava a ficar azulada pelo frio, mas ela não engoliria nenhuma gota, ela não...

    Ela não teve alternativa, ela esperava algo quente e aconchegante como o sangue do pai, mas tudo o que Sara sentiu escorrer por sua garganta foi um líquido frio, amargo, tao cheio de dor que só a fez chorar mais. Ela queria cuspir aquilo, aqueles sentimentos, mas sua garganta pareceu arranhar ainda mais quando o sangue de Raphael a tocou, numa sensação que ela nunca sentira antes.

    Ela ouviu as palavras dele, chorando ainda mais porque sabia que aquilo era verdade, que agora ela estaria tão ligada a ele que o sentiria ainda mais quando estivessem próximos.

    A mão fria dele correu por seus cabelos, mas ela mal podia sentir seu toque, a sensação de pela primeira vez ter sede parecia algo que anulava qualquer outra sensação, inclusive a de medo dele e todas as coisas que ela sentia no sangue que agora descia por sua garganta. Como alguém poderia sentir tanta dor e ainda continuar em pé como ele?

    Ela afastou-se, tinha que parar com aquilo. Fechou os lábios mas logo os abriu, suas presas os ferindo sem dó, expostas, desejosas por mais sangue, por sentir ainda mais a pele fria dele contra seus lábios.

    "Não... por favor..." - a mente dela suplicou quando ele lhe perguntou se ela queria mais, mas tudo o que seu corpo conseguia fazer era pedir por mais, sem se importar com o peso dele sobre ela, seus olhos fixos no pescoço pálido, na veia que pulsava sob a pele, fazendo as presas dela doerem. Que tipo de sensação era aquela afinal? Por que ela nunca sentira aquilo antes? Seus olhos estavam vermelhos, seu corpo estava rijo, suas unhas estavam fincadas contra as palmas das mãos. Ela sentia-se totalmente sem controle.

    O sangue dele agora se espalhava dentro dela e ela queria sentir mais daquela dolorosa sensação que era tê-lo invandido todo seu ser de uma única vez, ela queria desvendá-lo e matá-lo, ela queria que o fim viesse logo.

    Seus lábios tremiam pela febre e pelo frio que se misturava dentro dela enquanto ela sentia Raphael prendê-la entre suas pernas. Talvez qualquer outra desejasse estar ali, mas ela...

    - Eu não quero... - ela praticamente chorou aquelas palavras, fechando os olhos, tentando apagar a imagem dele de sua mente, tentando fazer com que todo aquele turbilhão de sensações dentro dela cessassem. Ela mal conseguia sentir o próprio corpo sob o corpo dele, mas sentia que ele estava próximo, muito próximo e num impulso tolo ela ergueu uma das pernas, sentindo a pressão nada gentil das pernas dele contra a coxa dela.

    Ela abriu os olhos, sua visão enchendo-se totalmente com ele, coms os cabelos brancos que caiam sobre o rosto dele, sobre sua nuca, com o pescoço dele a milímetros de seus lábios. Ela deveria repudiá-lo, mas o cheiro que escapava da pele dele a envolvia de uma forma que ela nunca conseguiria explicar.

    Seus lábios tocaram a pele fria dele, mordiscando-o, arranhando-o. Ela queria ferí-lo tanto quanto ele a estava ferindo, mas ela sequer sabia como fazer aquilo. A única pessoa que mordera em toda sua vida fora seu pai e ela sempre fazia aquilo com todo o carinho do mundo, pois ela o amava e entendia a honra que era o fato dele lhe ceder sangue.
    Ela deixou sua língua correr pela pele de Raphael, estremecendo ao sentir o gosto dele, suas mãos se movendo, seus pulsos tentando se soltar, ela queria tocá-lo, ela queria ferí-lo, ela simplesmente o queria e ela não sabia exatamente porque.

    Suas presas deslizaram pelo pescoço dele, o frio deu um breve instante para uma sensação quente quando o perfume dele pareceu tomar todos os seus sentidos, quando o sangue dele pareceu dominar novamente sua razão.

    Suas presas afundaram lentamente na pele de Raphael e quando o sangue invadiu sua boca seus lábios colaram-se a pele dele, sugando com vontade dessa vez, sem mais negar a sede que sentia, sem mais se importar com toda a dor que o sangue dele lhe trazia. Ele gemeu e mais uma vez os pulsos dela se feriram nos gelos enquanto suas mãos tentavam se libertar.

    Aos poucos a sensação que sentia de desejo foi diminuindo, a medida que o sangue dele preenchia cada veia dela, a medida que ele deixava o peso de seu corpo praticamente sufocá-la e aos poucos sua consciência foi voltando, enchendo-a com perguntas confusas, enchendo-a com uma sensação incrível de vazio. Por que ela havia feito aquilo?

    – Por que...? Por que você faz isso? – ela afastou as presas do pescoço dele, ainda deixando seus lábios tocarem a ferida, cicatrizando-a num cuidado que ele não merecia, mas era algo quase inconsicente que ela fazia.

    Ela deixou a cabeça pender para trás, trocando o chão frio enquanto encarava o apr de olhos azuis, sentindo a visão turvar, sentindo que agora estava totalmente a mercê dele. Sem resposta, ou ela não ouviu a reposta, pois logo sua mente se desligou, assim como seu corpo, o frio a vencera finalmente, a dor de todos aqueles sentimentos a esgotara como nunca.

    Seu corpo ficou inerte enquanto os olhos de Raphael corriam por ela, os sons à sua volta chegavam como se ela estivesse afundando na água, confusos e sem sentido e tudo o que ela conseguia sentir era algo frio descer por seu pescoço.

    A madrugada seguiu sem que ela sequer se movesse, lapsos de consciência a faziam mover a cabeça de um lado para o outro, os olhos mortos não se fixavam em nenhum ponto.

    Suas mãos estavam ao lado do corpo, as algemas de gelo que a prendiam estava partidas, machadas de sangue, mas ela não sabia de onde tirara forças para rompê-las.
    Os primeriso raios de sol encontraram Sara virada de lado sobre o gelo com uma mancha escura sob o rosto, uma mancha formada pela sangue de Raphael, pelo sangue que agora corria em suas veias.

    Ela primeiro sentou-se, pingos de água escorrendo por seus cabelos, por sua roupa totalmente enxarcada. Seu corpo tremeu convulsivamente e ela se abraçou, sua mente tentando buscar as lembranças da noite passada.

    As lembranças da noite passada, elas só vieram quando ela estava encolhida no canto do box no banheiro, enquanto um jato de pagua quente lavava completamente o gelo dela, de suas roupas. Ela sequer tivera forças para se despir, ou ela não queria se despir, não queria se sentir mais indefesa do que estava se sentindo agora.

    As lágrimas desciam por suas bochechas que exibiam um tom vermelho alarmante pelas queimaduras do frio, mas ela mal sentia a dor dos machucados. O que doia era por dentro e doia de um modo que ela nunca imaginou que pudesse doer.

    As lembranças de Raphael misturadas dolorosamente em seu sangue, o ódio que ele sentia por ela e ela por ele dançando em suas veias, misturado aquela sensação estranha que parecia queimá-la por dentro e congelá-la em seguida. Por que o havia mordido? Por que havia desejado o sangue dele?

    Ela abaixou a cabeça, afundando o rosto nas nãos feridas cobertas pelas mangas da blusa de lã, seus dedos se enroscando nos cabelos que caiam sobre o rosto, puxando-os.
    Aquela sensação, aquela sensação de que estava sendo partida ao meio, aquela sensação dele sobre ela, cada parte de seu corpo encontrando o corpo dele enquanto o sangue dele vertia para dentro de sua boca. Aquilo era doloroso, era humilhante e ela torcia para que a água quente lavasse aquelas sensações, ela torcia para que fosse capaz de expelir todo o sangue dele de dentro dela, mas ela sabia que era impossível. E aquilo doía.

    - Por que...? - ela soluçou num fio de voz, tossido, engasgando-se com a água do chuveiro, se encolhendo ainda mais. Por que ele havia feito aquilo? Por que a odiava tanto? Eles eram iguais não eram? Por que eles simplesmente não poderiam se dar bem e... ela poderia ajudá-lo com toda aquela dor - Por que... ainda está em pé?... - ela soluçava cada palavra. Quem era Raphael Grifftis afinal? O que ele queria afinal? Por que ele havia empurrado toda aquela dor para cima dela?

    - Por que?... - ela ergueu o rosto, encarando as gotas de água quente como se ele estivesse ali, como se ele fosse responder. Mas ela sabia que ele nunca responderia e talvez naquela noite ele resolvesse tomar o sangue que lhe dera de volta, talvez ele quisesse espalhar aquela dor ainda mais.

    Era tão intenso que fez Sara abraçar-se ainda amis ao se lembrar. Era doce e amargo, era frio e quente e doía e por um momento ela desejou toda aquela dor e elmbrar disso fez seu rosto arder e seu peito doer. Que tipo de pessoa ela etsava se tornando? Que tipo de pessoa ele a estava tornando?

    -... espalhar toda essa dor... por que?.... - ela abaixou a cabeça, deixando os braços caírem pelo chão de ladrilho, as gostas de água se jutnando nas palmas viradas de suas mãos.

    - Por...que? - seus lábios se moviam sem emitir nenhum som enquanto ela fechava seus olhos. Quantas noites ela levaria para descobrir? Quantos noites ela ainda teria?

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