Pieces of Raphael [+16]

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Pieces of Raphael [+16]

Mensagem por Convidad em Sex Mar 23, 2012 6:48 pm

Decidi escrever alguns episódios na vida do Raphael Grifftis, um dos meus char no fórum, e quero compartilha com vocês. Espero que gostem do meu bebê hasuahshsau *apanha até a morte*

Enfim, não tenho muito o que dizer, e uma sinopse desmancharia o brilho do meu char, não quero gerar spoilers ou ideias vagas, é como flashbacks oscilando na mente do Raphael, quase como um diário de confissões para vocês.

Obrigada a quem ler ^^

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Re: Pieces of Raphael [+16]

Mensagem por Convidad em Sex Mar 23, 2012 6:49 pm

Momento 01 - Frio

– Não! – o garoto exclamou, erguendo as duas mãos aos cabelos prateados. – Eu o matei! Matei meu melhor amigo! – a voz embargada de Rapahel ecoou pelo salão de música, enquanto ele abraçava com força o corpo sem vida de William Bather. Os olhos azuis brilhavam com intensidade devido às lágrimas que se misturavam com o sangue em grande parte da extensão do rosto pálido de Grifftis.

– O que eu fiz? – ele urrou enquanto as fortes mãos de Alexander o puxavam para trás, tentando afastá-lo do corpo morto.

– Filho, controle-se! – as mãos fortes seguravam com força os braços de Raphael. – Temos que conversar, eu, você e sua mãe.

O garoto deixou que a força desaparecesse de seu corpo, deixando ser guiado para longe do cadáver de William. – Eu devorei o meu melhor amigo, pai. – a voz de Raphael soava vazia, os olhos assemelhavam-se a vidros de garrafas, – profundos e espelhados–, observando a poça de sangue que tingia o chão de mármore polido.

Alexander afastou-se e circulou o ambiente, indo na direção do corpo de William. Raphael sentia o corpo tremer, e o gosto ferroso de sangue vibrar dentro de seu corpo, fazendo com que seu estomago girasse rapidamente. Ele ergueu a mão tremula, passando-a pelos lábios finos e delicados enquanto às presas pinicavam sem piedade a sua língua.

– Raphael, há muito tempo eu e sua mãe estávamos tentando ocultar a sua verdadeira natureza – Alexander ficou em silencio, enquanto passava as mãos sobre o rosto do cadáver para fechar os olhos esbugalhados e injetados de pavor do menino. – Somos diferentes, eu e você.

– Diferentes? – o garoto balbuciou, enquanto reprimia a ânsia de vomito subir pela garganta. – Eu avancei sobre ele, e...

– Eu sei. Sabia que isso aconteceria cedo ou mais tarde, mas não gostaríamos que fosse com o Bather – a voz de Alexander era cautelosa. – Filho, nós somos criaturas diferentes, longe de sermos humanos.

Ele caminhou na direção de Raphael ecoando os passos pelo salão. O garoto não conseguia reagir, simplesmente estava absorvido por uma sensação esquisita de desespero e medo. Ele não conseguia reconhecer o próprio corpo, as mãos tremiam, os olhos ardiam como se algum acido saísse por suas córneas, o estomago embrulhavasse, mas no fundo de sua mente, uma voz fria e profana agradecia pelo liquido quente que havia sorvido alguns segundos atrás. Raphael não sabia ao certo o que estava acontecendo, tudo fora tão rápido que simplesmente havia deixado a sanidade de lado e, contra a sua vontade, cravou os dentes na carne rija do pescoço de William. Dentes que não eram mais de humanos, agora com presas alongadas e finas, venenosas como o gancho venenoso de um escorpião.

– O mundo, a coisas nele que você não imagina que exista – o louro ergueu a mão pálida para afagar o rosto de Raphael, mas com uma batida forte, ele a afastou reprimindo as lagrimas nos olhos.

– Não! Não me toque com essas mãos. – a voz de Raphael soava descompassada e raivosa. – Não faço idéia de quem sou, e nem você, nem mamãe. Ninguém!

No mezanino da escada, uma mulher de cabelos louros, quase prateados, desceu aos tropeços a longa escada que dava acesso ao salão de música. Os olhos acinzentados da mulher perderam totalmente a cor ao ver William sem vida no chão. Ela fez o sinal da cruz e correu na direção de Grifftis, apoiando a cabeça de fios prateados contra o peito, em um abraço protetor.

Entretanto, Raphael não conseguia reagir ao abraço de sua mãe. Era como se estivesse escorado em um bloco de gelo, sem vida, sem sentimento, apenas um apoio para que seu corpo não tombasse contra o chão tão branco quanto o marfim. Kate fechou os olhos, e embalou desesperadamente o corpo de seu filho, como se o estivesse ninando para dormir. Alexander afastou-se, a pele branca e fina como papel deixava à mostra as veias azuis sobre o braço e a jugular. Os passos eram pesados, desesperados, circulando o corpo de William.

– Kate – ele pronunciou cabisbaixo, mas a voz soava profunda, elegante e autoritária. – Conte para ele o que está acontecendo.

– Mas, ele na...¬– a voz da loura fora cortada por uma fagulha de gelo que raspou pela bochecha macia, deixando um pequenino, quase invisível talho, que vertia uma fina linha de sangue. Ela estremeceu quando o ar frio a envolveu, assentindo com a cabeça na direção de Alexander.

– Raphael – ela acariciou os cabelos prateados e macios do menino. – Eu e seu pai lutamos muito para que esse dia tardasse a chegar, fizemos o possível – a voz de Kate soava baixa, quase em sussurros, desaparecendo gradativamente. Ela suspirou inflando os pulmões ate senti-los doer dentro do corpo, buscando a voz que desaparecia em um vortex dentro da garganta. – Você e seu pai são pessoas raras, especiais, recheadas de talento. São belas criaturas, mas tanta beleza teria que ser paga de algum modo.

– Mãe, eu matei William. – a voz de Raphael soou fraca, as mãos tremiam grudadas na saia de Kate, manchando-as de sangue. Ela afastou-se de Raphael, para poder envolvê-lo com as mãos, o segurando delicadamente pelo rosto. Os olhos azuis do menino eram opacos e sem vida, as pupilas estavam contraídas em uma tênue linha na vertical, o que fez Kate apertar entre os lábios um grito de dor.

– Querido, não diga mais isso.

– Somos criaturas imortais, sedentas por sangue – berrou Alexander, que erguia as mãos para o alto como se tentasse escapar de alguma armadilha. – Vampiros! É o que somos, eu e você. – Kate tapou os ouvidos de Raphael, gritando alarmada contra o vampiro louro que urrava em meio ao salão.

– Pare, Alexander! Pare! – ela berrou suplicante, enquanto os olhos eram lavados por lágrimas cristalinas. Raphael estava tão absorto diante das palavras do pai que não conseguia raciocinar. Os olhos acompanhavam a cena de seu pai e sua mãe discutindo e o corpo de William jogado em uma poça de sangue, com metade do pescoço aberto, estendendo-se em um pequeno bolo de carne pelo chão. Em sua mente, aquelas cenas eram silenciosas, como se estivesse vendo algum filme. Não havia falas e nem sons, somente os movimentos exagerados de duas pessoas e um corpo sem vida ao fundo.

Os seus membros estavam pesados, o ato de respirar era dolorido, como se o corpo não precisasse de oxigênio. As mãos claras agarradas à saia de babados rendados tornavam-se mais alvas, pálidas e homogêneas como o pó de mármore. Raphael contrastava contra a pele rosada e quente de Kate, mostrando-se como um imenso bloco de neve, branco, gelado e sem vida. Enquanto os olhos vislumbravam o seu pai, observou que pequenos cristais de gelo o envolviam em uma dança lenta e mortal. Os olhos azuis, assim como os dele, o hipnotizavam feito uma narja, disparando olhares afiados e assassinos. Naquele momento, Raphael sentiu-se envolvido pela presença do seu pai, fria e densa como uma noite de inverno na Rússia.

– Hoje é seu fim – a voz grave e profunda de Alexander ecoou na mente de Raphael. Uma fumaça branca, quase transparente, caminhou na direção de seu corpo deitado e amparado contra o corpo de Kate. Enquanto a fumaça seguia lentamente na direção de Raphael, o vampiro caminhou até a mulher, puxando-a pelos pulsos e envolvendo-a em um forte abraço. Ele chiou baixinho no ouvido dela, apertando-a mais contra o corpo gélido e duro feito aço.

A fumaça envolveu as pernas do garoto, que sentia a pele queimar por onde ela passava. Ele tentou gritar e com as mãos afastar-se para trás, mas o corpo simplesmente não se mexia. A fumaça subiu pelo peito, e ele pode observar que eram vários cristais de gelo unidos em uma corrente de ar.

– O que?! O que?! – ele berrou enquanto a fumaça gélida circulava o pescoço como uma cobra envolvendo a presa para devorá-la. As mãos pálidas correm na direção da fumaça, mas as pontas dos dedos congelaram, deixando as unhas azuladas e sem vida. – Não! Não! Pai, mãe! – os olhos eram suplicantes, lagrimas corriam pelas bochechas vermelhas devido ao frio que sentia. Os lábios roxos batiam-se de forma desesperada, e a saliva queimava a boca e a língua, congelando-as lentamente.

Estou morrendo. A única frase que lampejava na mente distorcida de Raphael. O corpo debatia-se nervosamente contra o chão, e os calafrios congelavam a espinha paralisando grande parte dos movimentos intensos. Ele abriu e fechou os olhos, observando através dos longos cílios prateados seus pais subirem lentamente as escadas do salão. Ele queria gritar, precisava de ajuda, precisava de alguém, mas a voz não saia. Os orbes giraram para o lado observando o corpo de William, queria que o amigo estivesse vivo, precisava de ajuda, de alguém. A fumaça envolveu as têmporas, congelando-as quase instantaneamente. Um giro repentino envolveu sua cabeça, e um estalo de ossos quebrando estourou sobre o cérebro, ampliando-se nos ouvidos.

O corpo de Grifftis caiu feito uma barra de metal contra o chão. O corpo estava endurecido feito gelo, a pele era tão branca que poderia reluzir dentro do breu, os cabelos prateados espalhados pelo chão misturavam-se com fagulhas de gelo. Se o inverno estivesse ali, com certeza o escolheria para reinar para sempre no mundo do gelo, do fúnebre, do mais puro branco. Raphael estava morto, envolvido pelos flocos de neve mais cristalinos que a humanidade poderia ver. O corpo inerte brilhava com as lasquinhas de gelo, enquanto a luz do imenso lustre de cristal insidia por todos os cantos do enorme salão de mármore.

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