..:: Breaking the Ice - Cap. VI ::.. Revenging - Pg 16

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Mensagem por Convidad em Sab Mar 31, 2012 11:35 am




    Spoiler:
    As lembranças sobre a noite na boate eram confusas, mas o cheiro de sangue humano em suas veias e o que ele e Filipe Matrelli fizeram, tudo o que havia acontecido, fez Sara decidir que aquele era o momento de por um ponto final aquilo. Ela precisava enfrentar Raphael Grifftis, mas ela precisava da oportunidade exata para isso. A oportunidade surgiu, mas Sara seria capaz de descer tão baixo e se comportar como todos do turno noturno?

    Breaking the Ice - Revenging


    Sara encarava o quadro negro diante dela, mas sua atenção não estava na matéria que o professor escrevia. Deveria estar, ela perdera aulas e agora tinha muito conteúdo para repor. O motivo para ter perdido as aulas? Era o mesmo para estar desatenta agora.

    Ela deixou o cabelo cair sobre o rosto, disfarçando enquanto olhava na direção do vampiro. Raphael estava recostado na cadeira, as longas pernas para fora, esticadas. ele tinha um envelope amassado em uma das mãos e na outra uma folha escrita apenas na frente. Parecia concentrado e pensativo enquanto lia.

    "O que deve ser isso? Uma carta pedindo que ele vá embora? Será que a associação descobriu algo sobre ele?

    Como se adivinhasse que ela o observava, Raphael ergueu os olhos azuis, encontrando o olhar de Sara, fazendo-a praticamente enfiar a cara no caderno.
    Raphael voltou seus olhos para a leitura, passando a mão pelo pescoço, distraído.

    A carta era de uma desconhecida e ele realmente ficara surpreso ao receber a correspondência. Pensara que seria alguma coisa de seus pais, alguma notícia, afinal desde que estava lá nada recebera, mas quando leu o nome "Cristine" ergueu a sobrancelha.

    O conteúdo da carta o deixara ainda mais surpreso. Seria uma brincadeira de Sara? Não, ela não teria tanta coragem e nem tanto cérebro para imaginar algo do tipo.


    Spoiler:
    "Querido Grifftis

    Sei que não me conhece, mas me sinto tão íntima que lhe chamar de querido é algo verdadeiro e natural.
    Me chamo Cristine Kalicki, suponho que já tenha ouvido falar de mim. Sou a futura representante do clã Kalicki, responsável pelos domínios de Vancouver.
    O motivo pelo qual o escrevo de certa forma tem a ver com essa liderança. Eu não a quero, não levo jeito para assuntos políticos e também nego meu noivo, Edgar Kalicki. Encare isso como quiser, pois sei que está se eprguntando o que isso tem a ver com você. Explicarei o pouco que posso por carta.
    Tenho um amante e um de nós quer matá-lo. É um vampiro cruel e manipulador, membro de seu clã se não estou equivocada e por isso peço sua ajuda.
    Ainda não está claro não é? Eu não posso falar-lhe muito por carta pois se ela for interceptada ambos corremos grandes riscos.
    Vou lhe falar logo sobre meu plano e discutimos mais detalhes pessoalmente.
    Junto a carta deve ter reparo que segue um convite, para você e um acompanhante. A noite seguinte que receber essa carta vai ocorrer um luxuoso jantar seguido de um baile no mais caro hotel de Vancouver, minha família é a responsável pela organização desse evento onde se reunirão membros importantes de ambas sociedades, incluindo alguns políticos. Peço que venha, mas traga uma companhia para não despertar suspeitas.
    O que quero que faça é que deixe meu noivo enciumado, comecem uma discussão. Ele é vingativo e certamente o procurara depois. Parece insano mas logo me compreenderá. Você o atraira para um lugar onde uma emboscada o aguarda. O prêmio? O sangue dele, o sangue de um puro sangue senhor Grifftis, para que possa enfrentar o inimigo de meu amante e também seu inimigo. você terá assim seu lugar de direito, sei que é o que tanto almeja, então se nos ajudarmos mutualmente obteremos êxito mais rapidamente.
    Sei que não ficou claro o bastante, mas ficara mais claro quando nos encontrarmos. Você não correra riscos, tudo ficara por minha conta.
    Deixe-me ao melhos lhe explicar meus planos pessoalmente e logo verá que ele apenas trará vantagens a você.

    Aguardo sua presença querido Grifftis,

    Cristine Kalicki."

    Raphael respirou fundo, seu peito subindo e descendo lentamente, seu cenho franzido encarava o papel em sua mão, amassando ainda mais o envelope. Um outro Grifftis? do que aquela vampira poderia estar falando?

    A curiosidade do vampiro estava atiçada, mas e se aquilo fosse uma armadilha?

    Ele se levantou em meio a aula, sem se importar com o olhar do professor ao perceber que ele deixaria a aula. Raphael sequer levara caderno para anotar a matéria, então não entendia porque sua ausência pudesse chatear tanto ao mestre? Além disso, aquele idita era um mero mortal, Raphael não devia explicações a ele.

    "Talvez seja melhor pesquisar sobre isso, sobre essa mulher e esse clã. O que ela está dizendo não faz sentido, não há outro Grifftis, eu sou filho único!"

    Raphael caminhou pelo corredor vazio, dobrando e enfiando a carta num bolso e o envelope amassado em outro. Teria que ir até a biblioteca, usar um dos computadores com a desculpa de que precisava fazer uma pesquisa. Sabia que a responsável, Arashi Akaoika, não acreditaria nele, mas ele ainda tinha outras opções caso a mulher não o deixasse usar um dos computadores. Qualquer uma das alunas do turno diurno ficaria mais do que feliz por emprestar seu notebook para ele.

    A biblioteca estava praticamente vazia, apenas a bibliotecária e Florensce Arnoult etavam ali, as duas conversavam quando ele chegou e não pareceram estar felizes com a interrupção.

    - Não deveria estar na aula? - a mulher mais velha perguntou, erguendo o olhar para ele e fechando um livro que estava sobre a mesa. Aquilo não interessava a ele, não havia porque ficar tão tensa.

    - Eu quero usar um dos computadores, preciso fazer uma pesquisa - ele apontou sobre o ombro para a fileira de computadores atrás dele. Talvez o momento fosse muito propício, afinal se elas estavam ocultando alguma coisa elas tentariam dispensá-lo.

    - Para qual matéria? - a bibliotecária saiu detrás da mesa e deu a volta, de qualquer forma era um bom sinal porque ela já sacava o cartão de liberação.

    - Ahn... - a pergunta o pegou de surpresa - Geografia - ele respondeu, assentindo com acabeça - Algo sobre bacias hidrográficas, é um trabalho extra de detenção - ele olhou para Florensce, sabia que a menina podia desmenti-lo se ele dissesse que era um trabalho para as aulas normais.

    A garota desviou o olhar dele, parecendo incomodada com alguma coisa. Será que Sara havia dado com a língua nos dentes? As duas eram bastante próximas.

    - Tudo bem, eu vou deixar o acesso livre por uma hora e depois quero que me mostre o que pesquisou - Arashi passou por ele e foia té os computadores, escolhendo um deles e digitando a senha do cartão de acesso.

    Raphael sorriu, expondo as presas num sorriso afiado para Florensce, aquela era outra que não sabia qual era o lugar dela e então virou-se, caminhando elegantemente até os computadores. Mesmo que não houvesse quem impressionar ali ele não conseguia agir de outro modo.

    Ele puxou a cadeira e sentou-se, esperando Arashi se afastar e começando a fazer busca. Notícias sobre a família Kalicki, banqueiros, políticos, notícias sobre o jantr que seria oferecido a alta sociedade, nada que realmente interessasse Raphael, ou que levantasse alguma suspeita.

    "Inferno, vou ter que descobrir por mim mesmo!" - ele praguejou, fechando a mão em punho sobre a mesa. Será que algum outro aluno do turno noturno conhecia Cristine Kalicki?

    De qualquer modo Raphael também não encontrou nenhuma ligação de Sara com aquela mulher. Se aquilo fosse uma emboscada então a mestiça não tinha nada a ver com aquilo.

    "Sara..." - mais uma vez a mão deslizou pelo pescoço, no ponto onde a vampira o havia arranhado, depois deslizou os dedos para onde ela costumava mordê-lo - "a carta diz que devo ir acompanhado, acho que sei quem vou levar" - ele se recostou na cadeira, estendendo o braço e o apoiando no encosto da outra cadeira enquanto apoiava o queixo na mão - "Será que aquela imunda tem roupa para ir a um evento como esse? suponho que não. Espero que ao menos o investimento sejá válido" - ele sorriu e se levantou, mas logo sentou de novo. A pesquisa sobre bacias hidrográficas.

    Os longos dedos de Raphael moveram-se agilmente sobre o teclado e ele passou a pesquisar várias páginas sobre o assunto, passando os olhos rapidamente sobre elas. Por sorte era um vampiro, sua memória guardaria facilmente auqelas informações.

    - Acabei - ele se aproximou da mesa, Florensce não estava mais lá, mas Arashi ainda lia o mesmo livro e mais uma vez fechou com a proximidade dele.

    - Pois bem, espero que a pesquisa sobre Cristine Kalicki também faça parte de seu trabalho - a mulher sorriu triunfante ao ver a expressão surpresa no rosto de Raphael - Monitoramos os acessos aqui senhor Grifftis. Qual o seu interesse nela? - os olhos jade de Arashi fixaram-se no rosto do vampiro e a expressão de Raphael fechou-se.

    - Apenas queria confirmar o endereço, fui convidado para um janta rorganizado por ela - ele disse simplesmente, dandod e ombros - além disso, cumpri com a minha pesquisa e estou indo embora antes do tempo estimado. Não fiz nada de errado, fiz?

    - Ainda não, mas eu estou de olho em você. Faltam muitas explicações sobre a morte de Audrey - Arashi se levantou, apoiando as mãos na mesa - e nada me tira da cabeça que você está envolvido. Mas tudo bem, ainda acharei uma brecha, uma falha sua e você pagara por esse crime.

    Raphael ergueu uma sobrancelha, um sorriso brincando por seus lábios enquanto ele também se inclinava sobre a mesa e apoiava as mãos no tampo.

    - Quanta hostilidade - ele disse num tom de gozação - Eu não matei Audrey, não vai conseguir achar prova alguma contra mim - ele passou a língua pelos lábios - Pode ter sido qualquer outro, afinal ela vivia dando... - ele parou a frase, apra dar exatamente enfase ao que queria dizer - dando em cima dos alunos do turno noturno. todos sabem disso, eu era apenas mais uma vítima dela.

    - Vítima? - Arashi falou com desgosto, mas não discutiria com aquele mestiço - Senhor Grifftis, já terminou seu trabalho, mas eu ainda tenho que fazer o meu, não vamos eprder mais tempo discutindo.

    - Com toda certeza - ele se desapoiou da mesa, sorrindo cm uma expressão quase inocente no rosto - Agora se de mer licença eu preciso comprar um presente - ele se afastou, dando alguns passos de costas e então virando, saindo da biblioteca, a caçadora encarando as costas do vampiro.

    - Cristine Kalicki, o que ele pode querer com Cristine Kalicki? - ela murmurou, franzindo o cenho.

    ********************************************************************************************************************

    Sara havia tomado um bom banho e vestido sua camisola. Sabrina ainda não estava no quarto e ela aproveitou para ocupar a escrivaninha com seus livros e cadernos, ficaria acordada durante aquela noite e colocaria a matéria em dia.

    Ela já havia copiado boa parte do conteúdo, havia pego emprestado com Florensce, mas não estava entendendo algumas fórmulas de física.

    A porta do quarto se abriu e ela se levantou com a folha de fichário na mão e o lápis na outra, mordendo-o em seguida.

    - Sabrina, que bom que chegou, eu queria que... - ela interrompeu a frase ao erguer o olhar e perceber quem era. Não era sua colega de quarto quem estava ali, mas Raphael Grifftis, com um cabide coberto por uma capa preta dobrado sobre o braço.

    Sara engoliu em seco, estava tão distraída que sequer notou a presença repugnante do vampiro. Ela recuou um passo, trazendo a folha para perto de si.

    - Sara... - a voz macia dele ecoou pela quarto e ela desviou o olhar dele para o cabide em seus braços, parecia que ele havia trazido roupa da lavanderia, ou que havia comprado um terno novo. ele inspirou lentamente, o cheiro do banho recém tomado da garota o deixou irritado.

    - O que quer? - ela perguntou anquele tom baixo e amedontrado e ele deixou os lábios numa linha reta enquanto a encarava, seus olhos descendo pelo corpo dela, pelas roupas que usava.

    A camisola de algodão com o desenho de um ratinho, Sara se vestia como se ainda tivesse onze, doze anos. Aquilo o deixou ainda mais desgostoso. Quem ela queria enganar? Se bem que o desenho combinava muito com ela em sua opinião.

    - Tire a roupa - ele deixou um sorriso brincar em seus lábios, pendendo a cabeça de lado, quase rindo ao ver a expressão de Sara, ela recuara mais uma vez e arregalara os olhos. Ele estendeu o braço com o vestido que havia comprado - O que? só quero que prove uma coisa, sabe que não me atrai nesse sentido.

    Sara passou a língua pelos lábios, tornando a olhá-lo. O que seria aquilo que Raphael queria que ela vestisse?

    - Eu estou ocupada agora - ela se virou e voltou a se sentar na cadeira, colocando a folha em meio as outras. Seu celular já estava cmo ela, ela não tinha porque fazer nada para ele.

    - Acho que você não entendeu - ele se aproximou, rápido, agarrando o braço dela cm a mão livre e a puxando, fazendo ela se levantar.

    Sara puxou o braço de volta e num movimento rápido acertou o punho fechado contra o rosto de Raphael, fazendo-o virar o rosto para o lado. Ela não poupara forças para atingí-lo.

    Raphael sentiu o gosto do próprio sangue encher a boca, virando lentamente o rosto para encarar Sara. A vampira estava ofegante, talvez tivesse se dado conta do que havia feito.

    - Ah Sara - ele passou a mão pelo canto da boca, limpando o filete de sangue - sua sorte é que preciso desse seu rostinho perfeito amanhã - ele jogou o vestido sobre a mesa - amanha você será minha acompanhante num jantar e é bom que faça isso de bom grado e que se comporto, ou seu papai vai saber o que tudo você tem feito e você tem feito muitas coisas - ele lambeu o asngue nas costas da mão.

    Sara abriu a boca, mas não sabia o que responder. Seu pai a visitaria no próximo mês e dessa vez sua mãe viria. Se Raphael falasse com eles certamente ficariam decepcionados.

    Sara pegou o cabide sobre a mesa e então foi até o banheiro, ficando surpresa quando deslizou o ziper da capa e se deu com um lindo vestido tomara que caia negro, o tecido suave e a saia longa.

    Sara o retirou com cuidado do cabide e o colocou sobre o corpo. Parecia servir perfeitamente e issoa fez se perguntar o porque ele estava fazendo aquilo, porque queria que ela fosse com ele a um jantar.

    Ela retirou a camisola, abrindo o zíper do vestido, erguendo o rosto e vendo o reflexo de Raphael. ele estava apoiado no batente da porta, observando cada gesto dela.
    Sara sentiu o rosto corar com o olhar dele, abaixando a cabeça, deixando a longa franja cobrir seu rosto enquanto se vestia.
    "Ele não me vê dessa forma, não tem porque sentir vergonha" - ela pensou, mas mesmo assim ficou de costas para ele. Parecia ser capaz de sentir o olhar dele, queimando sobre a pele, assim como sua presença fria.

    Ela vestiu ao vestido, ajeitando a longa saia, as mãos tateando as costas em busca do zíper, mas Raphael fora mais rápido. Estava atrás dela, as costas de Sara quase tocavam seu peito, a respiração fria dele batia contra seus ombros nus, fazendo-a se encolher.

    Com agilidade ele subiu o zíper, tocando então os ombros dela e descendo as alças do sutiã, dando assim uma melhor visão de como ficaria o vestido.

    Ele a virou de frente, seus olhos descendo pelo rosto dela, pelo colo e por fim pelo vestido. Sara apoiou as mãos no balcão do banheiro, engolindo em seco, a cabeça baixa.

    - Perfeito - ele disse, erguendo a mão e enroscando os dedos nos cabelos dela - Só precisa fazer alguns cachos, afinal seu cabelo liso é muito sem graça, combina com você, mas como amanhã estara comigo tem que estar perfeita - ele deixou os dedos deslizar para o rosto dela, segurando nas maçãs do rosto de Sara, erguendo a cabeça dela e apertando com força o rosto - Se não se comportar Sara eu prometo que além de contar tudo para seus pais eu termino o que Matrelli começou - ele soltou o rosto dela, os olhos de Sara enchendo-se de raiva ao lembrar-se do que houve.

    Raphael se afastou, virando-se de costas e saindo do banheiro.

    - Amanhã as oito em ponto no estacionamento Sara. Se eu tiver que vir buscá-la eu vou arrastá-la não só por essa Academia, ams pela cidade toda e sabe que sou capaz disso - ele olhou por cima do ombro, mas ela ainda não havia saído do banheiro - Se você se comportar e se tiver um pouco de sorte, talvez se livre logo de mim Sara. Se tudo der certo eu nunca mais precisarei voltar a esse lugar.

    Sara ouviu a porta do quarto bater, virando-se lentamente e se encarando no espelho. Seu colo subia e descia lentamente, sua pele ardia nos pontos onde Raphael havia tocado.

    "Amanhã... o que vai acontecer amanhã?" - ela colocou as mãos sobre os ombros quando sentiu a presença dele longe o bastante, fechando os olhos e suspirando - "O pior de tudo é que eu não me lembro, não consigo me lembrar do que houve naquela noite na boate. Eu tenho tanto medo" - ela se abraçou. Era melhor tirar aquele vestido, deixá-lo guardado antes que, com a sorte que tinha, acontecesse algo a ele.

    Sara voltou para a mesa de estudos depois de guardar o vestido com cuidado dentro do guarda roupas, mas sua atenção mais uma vez estava perdida, mais uma vez Raphael havia roubado a atenção de Sara. No começo era tão fácil ignora-lo, mas agora... ele corria por suas veias, de um modo que ela não conseguia evitar. O sangue dele corria misturado ao dela criando um laço que não poderia ser desfeito, que a levaria obedecê-lo mesmo que ela não quisesse, sentir a presença dele mesmo quando tudo que ela mais queria era esquecer que ele existia.

    Ela largou o lápis desanimada, seu olhar vagando pelos livros e cadernos abertos. Para onde ele a levaria dessa vez? Qual porta de seu inferno pessoal seria aberta?

    Oito horas da noite. Sara estava no estacionamento, mas ela não podia sentir a presença dela. A única coisa que sentia era o frio sobre os ombros nus, colado em sua nuca. O vento frio sacudia lentamente os cabelos dela, havia tentado cacheá-los com a ajuda de Sabrina e de Florensce, sentindo-se uma completa idiota pelo esforço inútil. Tudo o que conseguiu foram ondas longas, mas nenhum cachinho se formara.

    Ah sim, era claro que as pessoas haviam eprguntado porque ela estava se arrumando, tão claro como ela havia mentido. Dissera que alguns parentes viriam buscá-la para um jantar.

    - A professora Arashi me disse que Raphael Grifftis também vai a um jantar hoje a noite - Florensce comentou, perspicaz como sempre e Sara abaixou a cabeça, as bochechas ficando mais rosadas. Ainda bem que a maquiagem que usava disfarçava o suficiente.

    - Só pode ser coincidência - ela comentou num tom baixo, olhando as unhas. Havia as pintado cuidadosamente com a mesma cor do vestido, sua maquiagem mais pesada do que costumava usar apenas para parecer mais velha.

    Ela não sabia exatamente o porque de tanto esmero, mas sua intuição pedira aquilo, bem como seu ego. Se Raphael achava que ela não era bela então os outros achariam, ela sabia que atrairia olhares e pela primeira vez ela desejou aquilo, ela provaria a ele que... O que ela provaria? Nem ela sabia.

    - Sara - a voz de Raphael veio detrás dela e ela se virou lentamente, respirando fundo e erguendo o olhar para ele. Ele brincava com uma chave de carro nos longos dedos pálidos, estava vestido totalmente de preto, mas dessa vez não usava jaqueta e jeans, mas sim uma calça social e uma camisa preta que lhe caiam perfeitamente. A gola da camisa estava erguida e ela estava para fora da calça, dando um ar jovial e ao mesmo tempo formal ao vampiro - Pontual - ele parou de girar a chave nos dedos e retirou um relógio do bolso, olhando as horas.

    Ele se aproximou dela, um sorriso que ela não soube identificar surgindo nos lábios dele enquanto ele andava ao redor dela, os dedos dele deslizando pela pele quente de um de seus ombros, fazendo-a estremecer pelo toque frio. Eles eram tão diferentes, até mesmo o tom de pele. Enquanto a pele de Sara tinha um tom rosado a dele era totalmente pálida.

    - Isso tudo é para me impressionar? - ele perguntou, afastando os cabelos do rosto dela, sussurrando em seu ouvido - Mas eu disse cachos e não ondas, você nunca vai me impressionar Sara - ele soltou as ondas que escorregaram pelos ombros de Sara e se afastou - Vamos, o carro está ali. Não se preocupe, dessa vez eu pedi emprestado - ele disse com um ar de sarcasmo.

    Sara respirou fundo, contendo-se para não xingá-lo. Impressioná-lo? Não, ela não queria impressioná-lo, ela queria mostrar que era alguém que valia a pena, mesmo que ele não achasse, mas logo os outros a estariam olhando, ao menos ela torcia por isso, no jantar que ela sequer sabia onde era.

    Ele abriu a porta do passageiro e a esperou entrar, seus olhos analisando a expressão fechada dela quase com um ar divertido. Para ele era certeza de que ela queria impressioná-lo, queria chamar a atenção dele. Para ele aquele tipo de comportamento se assemelhava muito aos da menininhas que viviam atrás dele e aquilo era divertido, era o que queria.

    "Se esforce para me agradar Sara, vai ter muito mais graça destruí-la dessa forma" - ele pensou, batendo a porta com força. Sentia-se cada vez mais vitorioso sobre ela desde a noite na boate, desde o descontrole dela. Ela não podia negar, era um deles e desejaria para sempre o sangue humano, principalmente depois de ter provado.

    Ele deu a volta no carro e abriu a porta, entrando e se sentando no banco do motorista. Sara colocava o cinto de segurança, mas ele sequer se preocupou em fazer iso, apenas colocou a chave e deu partida, os pneus cantando enquanto ele deixava o estacionamento, os portões do internato se abrindo para dar-lhes passagem e logo o carro ganhava a velocidade, ganhando também mais velocidade.

    A mão de Sara segurava no apoio da porta, os dedos apertando com força, assustada coma velocidade com que Raphael dirigia, cortando entre os carros, o ponteiro passando rapidamente da marca dos cento e cinquenta.

    Os olhos dela vagavam da estrada diante deles para o velocímetro, engolindo em seco algumas vezes, a respiração escapando pelos lábios entreabertos.

    Um sorriso brincava nos lábios de Raphael, divertindo-se por ver Sara assustada com a velocidade do carro, fazendo questão de pisar ainda mais fundo no acelerador apenas para aterrorizá-la. Pena não haver muitos humanos na auto estrada, atropelar um deles seria definitivamente a cereja do bolo, ela certamente surtaria.

    A brincadeira de Raphael teve um fim quando finalmente chegaram a Vancouver. A cidade era maior, mais movimentada do que Whistler e ele teve que diminuir a velocidade ao sair da auto estrada, para alívio de Sara. Ela relaxou, soltandoa porta, os dedos dormentes.

    Com o transito nas ruas principais, Raphael aproveitou para baixar o vidro e dirigir apenas com uma das mãos, a outra ocupando-se com um cigarro que ele havia acabado de acender. Ele tragou longamente, soltando a fumaça para fora, olhando então para o retrovisor e encarando Sara. Ela o olhava, mas virou o rosto para o lado quando percebeu que ele a observava.

    - Vai ser uma boa garota? - ele perguntou, virando-se para ela, o farol havia ficado vermelho. Ela continuava a olhar para o outro lado, para a janela - Eu vou ser bonzinho essa noite Sara, você nem vai me reconhecer - ele completou e ela se virou, deparando-se então com a mão dele estendida, segurando o cigarro. Ele colocou o cigarro sobre os lábios dela, seus dedos manchando-se com o batom que ela usava.

    Sara arrancou o cigarro da boca e se virou, totalmente irritada, descendo o vidro e lançando o cigarro pela janela, mas o gosto do tabaco já havia tocado seus lábios.
    - Imbecil! - ela deixou escapar enquanto cruzava os braços e Raphael soltou lentamente a fumaça que ainda havia em sua boca, sobre ela, sorrindo com ao ouvir o xingamento. Mas o controle dela teria que se manter muito bom, por isso ele decidiu não provocá-la.

    - Vadia - ele murmurou e engatou a marcha do carro, partindo, fazendo Sara bater contra o banco e fuzila-lo com o olhar, encarando os olhos azuis de Raphael pelo retrovisor. Ele também teria que se controlar, ser gentil com Sara iria requerer muito mais esforço do que qualquer um poderia imaginar.

    - Para onde está me levando? - ela perguntou, vencida pela curiosidade e Raphael passou a língua pelos lábios, as duas mãos agora sobre o volante.

    - Um jantar, eu já disse, vai ser num hotel aqui, políticos e a aristocracia de nossa sociedade. Talvez você também consiga boas coisas para você, esses velhotes adoram garotinhas como você Sara, seu arzinho de inocente certamente vai deixá-los loucos - ele disse, os olhos fixos nos carros diante do dele. Eles poderiam ser mais rápidos?
    Sara mordeu o lábio, sua língua dançando dentro da boca. Como ela gostaria de dizer alguma coisa para ele, de cuspir nele.

    "Papai... ah papai..." - ela fechou os olhos, pensando em Fernando, na decepção dele se soubesse as coisas que ela havia feito. Ela apertou as mãos sobre o colo e voltou a abrir os olhos lentamente, olhando pela janela.

    Estavam chegando a parte nobre da cidade, os melhores hoteis estavam ali, ficava próximo ao aeroporto. As lembranças da última vez que estivera ali, a chuva, Raphael. Ela não pode impedir aquelas imagens de encherem sua mente.

    Mais alguns minutos e eles chegaram ao hotel. Metropolitan e suas luzes, Raphael parou o carro, um dos manobristas se aproximando e abrindo a porta para Sara. Raphael entregou a chave para o homem e então olhou para a vampira, os olhos dela corriam pela luxuosa fachada do hotel, ela parecia encantada com as luzes e aquilo o irritou. Que estupidez era aquela agora de ficar encantada com algo tão idiota? Ainda mais quando ele estava ali.

    Ele puxou o braço dela, trazendo-a para perto, seu peito encostado no colo dela enquanto ele se inclinava para sussurrar no ouvido dela.

    - Vai ser uma boa menina? É a última vez que pergunto. Se não for eu ligo para seu pai daqui mesmo depois de fazer o que prometi fazer. Um hotel, tem muitos quartos aqui - ele se afastou, seu nariz deslizando pela bochecha dela, até que seus olhos encontraram o olhar dela.

    Estavam semicerrados, encaravam ele com ódio, o castanho estava endurecido, mais claro por conta da maquiagem escura que cercava os olhos dela.

    - Muito bem - ele soltou o braço dela, segurando em sua mão, pousando-a sobre seu braço - Vamos minha querida - Raphael deu ênfase a última palavra, tão mentirosa quanto tudo que ele sempre dizia.

    Sara deixou-se guiar, deixando seus olhos correrem pela bela decoração do hotel, pelos hóspedes, pelos outros convidados da festa que chegavam, distraindo-se do vampiro repugnante ao seu lado. Aos poucos um sorriso surgiu em seus lábios e se não fosse o frio que praticamente congelava seu braço e o lado direito de seu corpo ela teria se esquecido completamente de Raphael.

    O jantar seria no restaurante do hotel e assim que os dois chegaram foram recebidos pelos anfitriões. Sara não fazia a mínima idéia de que era a mulher, mas ela se lembrava de que o homem havia visitado seu pai uma vez.

    - Prazer - a mulher apertou sua mão e depois a mão de Raphael, era alta, o cabelo de um loiro escuro, os olhos negros como a noite, cheios de malícia - Sou Cristine Kalicki, fico feliz que tenha aceitado nosso convite senhor Grifftis - teria sido impressão ao aquela mulher e Raphael havia trocado um olhar quase... cumplice.

    - O prazer é meu por receber o convite de alguém como você - ele tomou a mão da mulher e beijou às costas. Sara virou o rosto, a cena praticamente embrulhara seu estômago.

    - E essa pequena flor, quem é? - ela olhou para Sara, sorrindo, um sorriso tão falso que fez com que Sara fechasse a expressão imediatamente.

    - É a herdeira de Fernando Augustine, querida - o homem que ainda não havia se apresentado disse - Eu a vi uma vez, lembra-se de mim Sara, sou Edgar Kalicki - ele tomou a mão de Sara e ela teve que se segurar para não puxa-la de volta.

    - Sim senhor Kalicki - ela abaixou a cabeça, seus lábios numa linha reta ao sentir os lábios dele em sua mão - Papai sempre recebia muitas visitas, mas eu me lembro do senhor.
    Senhor? Edgar aparentava ser apenas um pouco mais velho que Raphael, alguém que sequer chegara aos trinta. Os cabelos prtos e lisos estavam penteados para trás e seus olhos azuis corriam por Sara sem nenhuma descrição.

    - A família Augustine tem bastante prestígio apesar de tudo, não é Sara? - Cristine comentou e Sara ergueu um olhar furioso para ela, mas antes que Sara dissesse qualquer coisa Raphael a puxou pelo braço.

    - Com licença, eu tenho que apresentá-la para algumas pessoas e certamente vocês devem receber aos outros convidados - Raphael disse, puxando Sara pela mão, afastando-a de Cristine, mas o okhar da mestiça continuava fixo na outra vampira de sangue puro. Sara tinha certeza de que aquela vampira se referia a sua mãe Clara e a ela.

    - Eles vão provocá-la, se for perder a cabeça com todos aqui vai acabar se matando - Raphael disse, soltando a mão dela e indo até a mesa de bebidas, serindo-se de uma grande dose de whisky, virando-se para sara enquanto tomava um bom gole - Não se deixe levar - ele disse, os dedos envolvendo o guardanapo sob o copo.
    Sara estava mesmo ouvindo aquilo? Ele estava lhe dando conselhos?

    - Talvez seja fácil para alguém como você - ela disse, olhando para a mesa de bebidas. Nada de sucos ou refrigerantes, apenas bebidas fortes que ela não tinha a menor ideia do que seriam, ela só reconheceu as garrafas de vodka e vinho. Seu pai apreciava vinho.

    - Alguém como eu? O que quer dizer com isso? - ele seguiu o olhar dela até a garrafa de vinho e então estendeu a mão livre. Um garçom se aproximou e ele pediu uma taça, voltando a olhar para Sara a erguendo a bebida para ela. Tinha uma cor mais forte do que deveria ter.

    - Nada - ela desviou o olhar do rosto dele para a taça, hesitando, mas erguendo a mão e envolvendo o corpo da taça em seus dedos, trazendo-a para os lábios. Asism que a bebida tocou sua língua ela percebeu que não se tratava de vinho, não apenas vinho. Ela se conteve para não cuspir e então tornou a por a taça sobre a mesa - Nada... - ela repetiu, deixando o olhar vagar pelas pessoas em volta. Algumas os olhavam, desprezo, admiração. Algumas mulheres não se incomodavam com a presença dela ao lado de Raphael e o encaravam abertamente, alguns homens não se importavam com Raphael ao lado de Sara e deixavam seus olhos correrem pelas ondas de seu cabelo e de seu corpo. Ela tornou a olhá-lo, todos ali pareciam ainda mais repugnantes do que ele.

    - Alguém podre como eu? - ele riu e tomou mais um gole da bebida - O que há de errado com o vinho Sara? - ele perguntou, sabia que havia sangue na bebida, era um hábito tão comum entre os vampiros.

    - Eu não gosto de beber, só quis um gole porque me lembrei de papai - ela respondeu, abaixando a cabeça. Havia humanos ali, mulheres e homens rindo. Será que sabiam do perigo que corriam? O gole de vinho que dera agora queimava em sua garganta.

    - Beba o resto, vai ser bom para você - Raphael pegou a taça e ergueu mais uma vez. Sara passou a língua pelos lábios e pegou a taça novamente - São de reservas, bancos de sangue, mas não como pensa. bancos de sangue de hospitais, ninguém sofreu, não precisa se sentir culpada - ele disse, mas aquilo não melhorava em nada. As pessoas que doaram aquele sangue fizeram aquilo para salvar vidas e não alimentar uma cirja de monstros.

    Sara tomou todo o vinho, sua garganta ardendo menos. Ela não sabia o que havia acontecido na boate, mas tinha certeza que Raphael bebera seu sangue, muito, muito mais do que na noite anterior no quarto dele. Sua sede depois daquele dia a atormentava todo o tempo e ela tinha que ingerir um grande número de pílulas para se sentir bem.
    Raphael se aproximou dela, seus olhos fixos nos lábios dela, erguendo a mão para segurar seu queixo.

    - Se quiser eu te deixo beber meu sangue mais tarde, se você se comportar bem. como eu disse essa pode ser uma grande noite para mim então talvez eu esteja feliz no final e deseje recompensar você, não só a liberdade, mas o sangue que você tanto tem desejado ultimamente - ele segurou o queixo dela com firmeza, impedindo-a de se afastar, inclinando-se sobre ela, seus narizes se tocando, o hálito com cheiro de alcool escapando pelos lábios dele.

    Sara tentou recuar, mas suas pernas pareciam presas no chão, assim como seu olhar estava preso ao de Raphael. ela ergueu a mão, envolvendo o pulso dele e tentando afastá-lo.

    - Eu estou bem - ela completou e ele ergueu a mão como se estivesse se rendendo.

    - Depois não diga que eu não quis te ajudar - ele sorriu fingindo uma expressão inocente e Sara bufou, virando o rosto, deparando-se com a mesa de pratos, seus olhos caindo sobre uma maravilhosa Paella que estava ali exposta. em qualquer outra ocasião ela teria corrido para se servir, mas mesmo seu prato preferido não parecia tão apetitoso com Raphael por perto.

    - Quer comer algo? - ele havia se inclinado sobre ela novamente, seus lábios quase tocando as bochechas dela enquanto ele falava.

    Sara se virou de costas para ele, trincando os dentes. Por que ele estava fazendo isso com ela? O que ele queria provar ou provocar afinal?

    - Eu mesma me sirvo - ela disse, caminhando em direção à mesa, um garçom surgindo a seu lado. Sara sorriu abertamente ao pedir o prato e Raphael percebeu o motivo do sorriso dela, era um humano, ela sempre teria aquele sorriso idiota para com os humanos.

    - Você vai ser um ótimo puro sangue - a voz de Cristine às suas costas o fez sorrir e ele se virou lentamente - Fico feliz por ter vindo, pensei que acharia que fosse uma emboscada ou algo assim e recusaria, mas sua presença realmente está sendo algo agradável. Há muitos comentários sobre você no banheiro feminino.

    Raphael levou o copo a boca e sorveu o último gole de whisky, colocando o copo sobre a mesa e passando a língua pelos lábios.

    - Talvez eu vá até lá depois para descobrir o que falam de mim, mas agora Cristine - ele começou, chamando-a pelo primeiro nome, como se fossem intímos - Eu realmente não ia vir, mas fiquei curioso. Acho que está equivocada sobre a existência de um Grifftis que queira me matar. Meu pai e eu somos os únicos.

    Cristine sorriu, então ele era um vampiro direto? Mesmo para um mestiço ele tinha uma atitude confiante e isso era bom. Egocêntrico, bastava apenas que ela manipulasse o ego dele e ela teria o que quisesse.

    - Meu amante ainda nao me deu o nome do vampiro, mas ele me disse que é filho de Alexander Grifftis e Kristine Vorherrschaft. Talvez esse nome não faça sentido a você, mas a nós... Ah! Faz bastante sentido. A prometida de seu pai antes dele cometer o erro. Desculpe-me, não tenho nada contra você, até preciso de sua ajuda, mas manchar um sangue tão poderoso como o nosso é realmente um pecado.

    - Não se desculpe, eu concordo com o que diz, é realmente um pecado que eu gostaria de reparar. Quem sabe eu terei sorte, você me prometeu algo promissor - ele sorriu para a vampira e ela retribuiu o sorriso de Raphael - Gostaria que ficasse em minha mesa, meu noivo tratará de assuntos de politica e ele sabe que detesto esse tipo de coisa, então poderemos conversar tranquilamente - ela desviou o olhar para Sara, ela conversava animadamente com o garçom, aglo que fez a vampira olhá-la com desdém - Ela sabe? - a vampira perguntou, erguendo a taça de champanhe que segurava apontando em direção a Sara.

    - Não, não deve saber. Como pode ver Sara é muito diferente de nós, ela trata o gado como gente - ele olhou para Sara sobre o ombro e voltou a sua conversa sussurrada com Cristine - Só a trouxe porque pediu que viesse acompanhado.

    - Sim, mas achei que traria uma humana - a vampira sorriu com malícia, seus olhos fixos em Raphael que estava cada vez mais próximo a ela. Quem sabe ele poderia ser mais um de seus amantes? Em tudo o que dissera para Raphael ela mentira. Amntes ela tinha aos montes, só queria matar o noivo pois assim ela assumiria o poder. Quanto ao Grifftis que queria matar o jovem ela só ouvira rumores, fofocas da sociedade, ela sequer sabia de quem se tratava.

    Ela só queria alguém ambicioso o bastante para enfrentar Edgar e matá-lo, para assumir a culpa caso alguma coisa desse errado.

    - Uma humana? - Raphael semicerrou os olhos - Por que uma humana?

    - Para nos divertirmos mais tarde - Cristine respondeu, apoiando a mão livre de longas unhas vermelhas sobre o ombro dele - Afinal se vamos fazer algo tão perigoso devemos ter laços de confiança e há maneiras bem prazerosas de consolidar esses laços. não? - ela mordeu o lábio - pensei que traria alimento para depois, afinal se vai beber meu sangue deve me servir com algo.

    - Sirva-se dela, Sara tem um sangue... - ele parou, a palavra maravilhoso quase escapando de sua boca - ...quase tão bom quanto o humano.

    - Ouvi dizer que ela bebe somente sangue do pai, é verdade isso? - Cristine riu - Deve ser uma dessas puritanas. Fernando sempre foi tão... certinho - ela semicerrou os olhos, mas logo voltou a abri-los e encarar Raphael.

    - Sim, é verdade - ele confirmou - Conhece o pai dela? - ele perguntou, uma pontada de curiosidade em seu tom de voz.

    - Claro que sim! Fernando Augustine, acredita que ele trabalha para a Associação? Mais um para apoiar a causa de paz entre vampiros e humanos. Como se isso fosse possível! - ela riu, inclinando a cabeça para trás - Casou-se com uma humana, uma noviça acredita? Acho que esse arzinho sonso que ronda sua amiguinha vem exatamente dai.

    - Ela não é minha amiga - Raphael cortou de modo seco, virando-se e pedindo outra dose para o garçom que estava na mesa de bebidas - Se quiser matá-la essa noite, ela é toda sua.

    - Matá-la? Enlouqueceu? - A expressão de Cristine fechou-se - Fernando tem negócios com Edgar, eu não quero atrair problemas e suspeitas, meu objetivo é outro e você também, talvez seja melhor estreitar seus laços com ela. Fernando é muito poderoso, pode lhe ser de grande valia no futuro. Aposto que ele protegeria o amante da unica filha - ela respirou fundo, passandoa ponta da língua pelos lábios - Mas será uma pena vê-lo atrelado pela eternidade a alguém como ela. É, talvez a gente possa pensar nisso depois.

    Raphael franziu o cenho, tomando um gole da bebida, misturando o gelo. O que aquela vampira estava insinuando? Certamente ela queria que ele fosse um de seus amantes, poderia ser até agradável e interessante, mas ele ainda não via motivos para escolher ela. Talvez mais tarde ela lhe desse bons motivos.

    - Pensarei nisso - ele disse - Em qual mesa ficaremos? - ele perguntou e a vampira virou-se mostrando uma mesa quase oculta por um grande arranjo, mais ao fundo do salão.

    - É um lugar reservado, poderemos conversar em paz - ela passou a mão pelo braço dele - Vamos, não percamos mais tempo - ela disse - os casais logo começarão a dançar, eles chamaram uma dessas cantoras novas para cantar. Não quero que Edgar nos interrompa.

    Raphael deixou-se guiar, olhando vez ou outra por cima do ombro, Sara ainda conversava com o garçom como se ele fosse um dos convidados mais respeitáveis.

    "Imunda, deveria estar aproveitando para se oferecer a um desses nobres idiotas, aposto que muitos estão loucos para abrir as pernas dela" - ele virou-se. Sara lhe dava nojo, uma pena Cristine não querer matá-la. Teria a vampira tanto medo assim de Fernando? Raphael nada vira demais no vampiro quando ele visitara a Academia.

    Um garçom se aproximou e puxou a cadeira para Cristine, entregando-lhe o cardapio, fazendo o mesmo com Raphael quando ele se sentou.

    Os olhos do vampiro correram o cardápio sem nenhum interesse, erguendo-os vez ou outra apenas para verificar onde Sara estava. No mesmo lugar para o desgosto dele.

    - O que houve, Raphael? Algo o desagrada? - Cristine perguntou, seguindo o olhar dele para Sara - Oras, talvez ela esteja conquistando sua presa para o fim da noite - Cristine cutucou, divertindo-se com a expressão quase fechada do vampiro - Ou... estaria com ciumes? - ela perguntou e Raphael a fuziulou com os olhos.

    Ciúmes de Sara? Ele poderia ter feito o que quisesse com ela, era tão fraca em suas vontades que com certeza se ele quisesse leva-la para cama já teria feito. Ele lembrou-se da última noite em que ela estivera em seu quarto e então olhou para Cristine. Sentia a raiva queimar em seu sangue, uma sensação quente tomando seu corpo pela primeira vez.

    - Seu noivo vai demorar? - ele perguntou num tom seco para a outra vampira - Sabe, eu não quero esperar para o que tem a me oferecer - ele estendeu a mão pela mesa - Vamos apra um quarto vago, podemos conversar melhor e nos divertir.

    - Hmm, quanta pressa - Cristine sorriu de lado - Pois bem, eu também acho que não devemos perder tempo, afinal Edgar está muito ocupado - ela segurou a mão dele - Há um andar que está vazio, reservado para uma comissão não sei de que, acho que ninguém se incomodaria - ela mordeu o lábio, colocando uma mecha de cabelo atrás da orelha.
    - Que seja - Raphael respondeu no mesmo tom, levantando-se da mesa - Vou avisar Sara que ja volto - ele disse e então caminhou em direção a outra vampira.

    - ... guitarra? Eu também toco guitarra! - Sara conversava animadamente com o garçom, o jovem moreno era todo sorrisos com a bela garota que conversava com ele - Ah me desculpe, eu devo estar atrapalhando seu trabalho, mas é tão bom poder conversar com alguém! - ela completou, fazendo o rapaz sorrir sem jeito.

    - Não tem problema, a gente podia comb... - ele se calou sem completar a frase, abaixando a cabeça e Sara sentiu o ar frio e denso ao seu lado. Raphael Grifftis, ela sequer precisava se virar para imaginar a expressão de desgosto no rosto dele.

    - Sara - a voz dele tinha um tom seco e irritado - Eu já volto, quero que esteja aqui quando eu voltar - ele sequer esperou ela se virar, saindo e voltando apra onde estava a outra vampira.

    - Ele é seu namorado? - garçom perguntou num tom baixo, quase num pedido de desculpas.

    - Não - Sara apressou-se em desfazer a confusão, aquilo chegando aos ouvidos de Raphael quase como uma ofensa - Ele é só um colega de escola - ele até teria voltado, mas tinha assuntos mais importantes. Poderia desmentir Sara depois, seria diverti-lo fazê-la se zangar e depois colocar na cabeça dela que o garçom a achara uma vadia.

    Raphael seguiu com Cristine pelo restaurante, saindo com ela para os elevadores. Eles pararam no décimo quinto andar e Cristine não perdeu tempo.

    As mãos dela correram para a camisa de Raphael e ela o puxou, seus lábios colando-se aos dele num beijo urgente demais.

    Ela o guiou sem desgrudar seu corpo do dele até um dos quartos e abriu a porta, os dois entrando, a vampira logo virando-se para trancar a porta, seu riso cheio de malícia ecoando por todo o quarto. Ainda de costas ela colocou as mãos na silhueta do vestido, olhando para Raphael por cima do ombro, um olhar convidativo enquanto ela fingia não conseguir alcançar o fecho do vestido.

    - Me ajude - ela pediu e Raphael abriu um largo sorriso, era tão claro que era mentira, mas ele se aproximou da vampira, suas mãos tocando os ombros dela, descendo vagarosamente, fazendo-a estremecer enquanto ele abria lentamente o zíper do vestido.

    Sua mente, um flash interrompeu seu deleite no que fazia, a imagem de Sara assustada ao vê-lo no banheiro, a sensação da pele quente dela sob seus dedos, ao contrário do que fazia agora ele estava fechando o vestido dela, ao contrário da pele de Cristine, tão fria quanto a dele, Sara parecia pulsar vida.

    Ele sentiu-se desgostoso, pensar em Sara naquele momento era a última coisa que esperava. Ele afastou-se quando terminou de abrir o vestido de Cristine e ela virou-se, lançando os braços em torno do pescoço dele, suas mãos deslizando pelos cabelos dele, arranhando sua nuca.

    Mais flashes, mais de Sara. A ardência do arranhão de Cristine, exatamente no mesmo ponto em que Sara o arranhara, ele gemeu de modo inconsciente, seus lábios procurando os da vampira com voracidade, as presas arranhando a pele macia e vermelha.

    Um gemido de Cristine e ela o empurrou, as mãos ficando sobre o peito dele enquanto ela o guiava para a cama que ficava no centro do quarto. As mãos dela, as mãos de Sara o rejeitando, impedindo de se aproximar. As mãos dele descenram pelas costas de Cristine, segurando firmemente a cintura dela, mantendo-a perto dele enquanto os beijos dele desciam pelo pescoço dela. ele sentia a raiva queimar dentro dele, uma mistura confusa de raiva e desejo corria com força por suas veias, fazendo-o apertar os dedos contra a pele de Cristine, ferindo-a com seu toque frio, quase rasgando o tecido frágil do vestido.

    Ela se afastou, ofegante, seus olhos vermelhos, os lábios sujos pelo próprio sangue, encarando-o quase assustada. Ela nunca imaginara que ele pudesse ser tão intenso, tão poderoso e ao mesmo tempo tão sexy como naquele momento.

    Ele apenas ergueu o olhar para ela, a cabeça baixa, os fios brancos caindo sobre os olhos azuis. Ele parecia prestes a atacá-la e não a ir para a cama com ela.
    - Nossa... - ela deixou escapar, pretendia sorrir de modo malicioso, mas o olhar dele a fez ofegar, calando-a.

    Ele a puxou pelo braço e a jogou na cama, Cristine caiu sentada, assistindo ainda ofegante Raphael desabotoar a camisa. Sem classe, com pressa, a mesma pressa que fazia aquelas sensações correr em seu sangue, pela segunda vez na noite ele sentiu-se quase quente, quase vivo novamente.

    Como um gavião, ele avançou sobre sua presa, sobre Cristine, empurrando-a sobre a cama, forçando-a a se deitar, os cabelos loiros espalhando-se sobre o colchão. Eles seriam tão macios quanto os de Sara?

    Raphael inclinou-se sobre, sua boca encontrando a boca de Cristine, sua língua passando pelos lábios e limpando o sangue, seu corpo pressionando-se contra o dela, seu braço apoiado na cama enquanto seus dedos se enroscavam nos cabelos dela.

    As mãos de Cristine correram pelo peito dele, sentindo a pele perfeita, fria, um cheiro amadeirado enchendo os pulmões dela. Como ela ainda não o havia descoberto antes? Suas unhas marcaram a palidez dele com riscos vermelhos, sias mãos subiram e deslizaram a camisa pelos ombros dele.

    Outro gemido, as marcas dos arranhões de Sara pareciam ainda estar ali, ardendo, não, não estavam, era só uma impressão confusa.

    Confuso, todos aqueles momentos com Cristine, todas as imagens de Sara que iam e vinha em sua mente, o sorriso dela ao falar com aquele humano. Ela não percebia que ele estava dando em cima dela? Não! Ele era humano, ele era perfeito e Raphael era... O que importava? O que importava o que ela pensaria?

    O que Cristine imaginava como uma noite de amor com um amante foi apenas uma explosão de raiva. Raphael sentia-se furioso, estava mais do que na hora de por um ponto final naquilo, era hora de matar Sara, acharia outro brinquedinho depois. Qualquer garota do turno diurno ou do noturno, qualquer outra que não ela.

    A agressividade expressa nos beijos de Raphael enloqueciam Cristine, o modo como ele a tocava, parecia buscar algo, algo que não encontrava e que o deixava ainda mais furioso. Tão excitante, ele poderia parti-la ao meio, afinal nunca sentira tanto prazer como naquele momento.

    E o sangue dele, o que havia de tão intenso oculto nele? O sabor era delicioso, ela até leria na mente dele o motivo daquilo tudo, mas talvez deixar assim tornasse as coisas mais interessantes.

    O mordida dele, o ápice do prazer entre vampiros, tão dolorosa e ao mesmo tempo tão prazerosa. Raphael era realmente um mistério que ela desvendaria por completo, mas aos poucos. Se como um mestiço ele era daquela forma, ela mal esperava para que ele matasse Edgar.

    O final, ele se levantara, parecia apressado em se vestir, mas ela também tinha pressa. Tanta pressa, sequer fechara os furos que fizera no pescoço de Cristine. Que se danasse se Fernando Augustine era alguém poderoso, ele entregaria a filha do vampiro de sangue puro numa urna bem bonita, a mais cara e que ele viesse com sua vingança, pouco importava. Sara não sobreviveria aquela noite.

    Sara. Ela estava na mesa com um casal de senhores idosos, humanos, aquele sorriso que parecia atear fogo no juízo de Raphael estava ali, aquele sorriso que parecia congelar as emoções dele e aumentar a vontade de fazê-la sofrer, de destrui-la.

    Ela sabia que ele estava ali? Ele estava no fundo do salão, oculto por uma das pilastras, o copo de whisky em suas mãos estava pela metade, os cubos de gelo boiavam na bebida enquanto ele girava lentamente. Ele deveria ir até lá e falar com ela, deveria dizer que era hora de irem embora.

    Dariam um passeio pela cidade, tantos lagos, ele poderia simplesmente prende-la sob a superfície de um deles e congelá-lo. O semblante desesperado dela, a dor que certamente expressaria e seu desespero. Raphael tomou o restante da bebida num gole enquanto assistia Sara se levantar seguida pela mulher de xale preto e pelo homem de terno cinza. Eles foram para o centro do salão, onde alguns casais dançavam e Sara passou a ser guiada pelo senhor, enquanto a mulher retirava uma câmera da bolsa e tirava algumas fotos. Que tipo de pessoa leva câmeras a um jantar? Somente humanos poderiam ser tão ridículos.

    - Você lembra nossa filha, ela nos deixou quando tinha sua idade, nunca mais tivemos filhos depois disso - a mulher comentou, suspirando em seguida.
    Raphael engoliu todo o conteúdo do copo, predendo uma das pedras de gelo entre os dentes, esmagando-a, mal sentindo as lascas frias descerem por sua garganta, seus olhos seguiam os movimentos de Sara, no fundo admirado por ela saber se portar, por saber dançar sem pisar nos pés do velho.

    Sara virou o rosto na direção onde ele estava e, saindo das sombras, ele a encarou, cruzando os braços sobre o peito, apoiando o ombro na pilastra. Ela fingiu ignorá-lo, voltando a encarar o homem e a conversar com a mulher, os dois rodopiando em volta da senhora.

    Ele teria mesmo que ir buscá-la? Raphael franziu os lábios, desgostoso, desapoiando-se da pilastra e passando a caminhar em direção ao centro do salão, mas ao passar por uma das mesas teve seu pulso segurado por Cristine. Ela não era nada discreta.

    - Depois que deixar a garota Augustine volte para terminarmos nosso assunto - ela sussurou no ouvido dele, dando uma lambida no lóbulo da orelha do vampiro.
    Raphael sorriu, seus olhos semicerrando. então ela não queria sequer fingir para o noivo que nada havia acontecido? Afinal já era bem difícil explicar porque ele tinha o cheiro do sangue fresco de Cristine em si e vice versa, mas ela já havia inventado uma desculpa bem convincente: Raphael sentira sede e ela como anfitriã apenas quis evitar problemas.

    - Tudo bem - ele respondeu passando a ponta da língua pelos lábios - Não vai demorar, eu já vou levá-la - seus olhos azuis pareciam ainda mais intensos. Na verdade ele iria demorar, ficaria assistindo Sara congelar sob seus pés, se regojizaria de cada expressão, do desespero e da dor, do medo da morte, se ele pudesse filmar seria ainda melhor, mas sua memória vampirica certamente guardaria os melhores momentos com perfeição.

    Raphael puxou seu pulso com delicadeza e então se inclinou sobre a cadeira de Cristine, a mão apoiada no encosto.

    - Você sequer terá tempo de sentir minha falta - ele sussurrou no ouvido da vampira e ela riu sonoramente, pendendo a cabeça para trás. Certamente ela achava que Raphael estava nas mãos dela, mas isso era um grande equívoco, ninguém nunca o teria nas mãos.

    Ele se levantou e quando ergueu o olhar mais uma vez os olhos de Sara estavam sobre ele, o sorriso no rosto dela havia sumido e a mão sobre o ombro do velhote parecia apertar com um pouco mais de força.

    - Me desculpe - ela pediu para o senhor - Eu o machuquei? - ela massageou levemente o ombro do homem e antes de ouvir a resposta dele Raphael já havia cruzado o salão. Sara se afastou do snehor com uma expressão de desculpas, a mão ainda massageando o ombro dele.

    - Sara, precisamos ir - Raphael disse enquando cumprimentava ao casal com um gesto de cabeça, fazendo aquilo apenas por educação, mas o desprezo estava claro em seu olhar, ao menos para Sara, pois a senhora gorda e de cabelos grisalhos sorriu.

    - E quem é esse jovem bonito, Sara? - ela perguntou, aproximando-se dele e apoiando as mãos em seus ombros. Raphael sorriu, mas limitou-se a manter as mãos abaixadas ao lado do corpo.

    Sara abriu a boca para responder, seus olhos duros, fixos no modo como Raphael se portava. Como ele podia se achar superior aquelas pessoas? Quem ele achava que era para agir daquele modo?

    - Ele é... - ela começou a responder, mas Raphael a interrompeu, tomando sua mão e a puxando para seu lado, obrigando a mulher a se afastar.

    - O namorado dela, eu quem a trouxe para esse jantar - ele disse, deslizando a mão pelo braço de Sara, envolvendo a cintura dela e a puxando para si, uma lufada do cheiro amadeirado dele invadiu os pulmões de Sara, mas havia algo errado.

    Misturado ao cheiro dele, o perfume adocicado da anfitriã da festa, o cheiro de sangue fresco, um sangue tão forte que só poderia significar uma coisa.

    Sara desviou o olhar dele, olhando em direção a mesa em que ele estava a alguns segundos, seu olhar encontrando o olhar curioso de Cristine, que sorriu e acenou para ela.
    Ela desviou o olhar, Raphael falava alguma coisa par ao casal, parecia estar se despedindo.

    - Não! - Ela exclamou de repente, seus olhos correndo pelo rosto surpreso de Raphael, desviando-se para o rosto do casal que também a olhava da mesma forma - Me desculpe... é que nós sequer dançamos - ela disse, um plano começando a se formar em sua cabeça.

    - Do que está falando Sara? - Raphael franziu o cenho, encarando-a, tentando descobrir o que ela queria com aquilo.

    - É-é isso - ela passou a língua pelos lábios. O que ela pretendia? Nem ela sabia o que pretendia ao pedir aquilo, mas agora ela entendia o que estava acontecendo . Ela se virou e ficou de frente para Raphel, erguendo sua mão, seus dedos deslizando pela bochecha dele, um olhar doce enquanto o encarava, quase como uma namorada apaixonada. Os dedos dela correram para o pescoço dela, sentindo as marcas, mesmo que cicatrizadas, do furo, sentindo pequeno vergões onde Cristine havia arranhado - Eu quero dançar com você... meu querido... - ela pediu e o casal de senhores riu, dizendo que os deixaria a sós.

    Raphael se afastou, sua mão praticamente arrancando a mão dela de seu pescoço, apertando os dedos dela com força, seus olhos azuis derretiam em raiva. Por que ela estava o olhando daquele modo? O que ela pretendia com aquilo? Que ele tivesse pena dela? Será que de alguma forma ela pressentira o que ele faria?

    - Tudo bem - ele disse, soltando a mão dela sobre seu ombro, passando a mão pela cintura dela e a puxando, de um modo nada delicado, fazendo-a bater contra seu peito duro como pedra - uma última dança - um sorriso sombrio brincou nos lábios dele e Sara sentiu sua coragem diminuir, mas novamente o cheiro dele a invadia e incitava sua raiva.

    Então Raphael Grifftis tinha uma amante e estava usando Sara para poder visitá-la? Sara não queria imaginar o que eles haviam feito naquele tempo em que Raphael e Cristine sumiram.

    No palco, uma cantora loira de olhos verdes, num vestido branco, começava a cantar uma nova música, gesticulando com uma das mãos, suas longas vermelhas em destaque contra sua pele branca. Era uma humana e mais uma vez Sara se perguntou se eles saberiam os ricos que corriam ali?

    Conforme a música começou Raphael apoiou as mãos na cintura de Sara, os longos dedos pressionados contra as costas dela enquanto as palmas das mãos envolviam por quase completo a cintura dela. Ele a puxou contra o corpo dele e inclinou o rosto sobre o ombro dela, afastando as longas ondas de seu cabelo com o nariz.

    - Uma última dança Sara, eu vou matar você quando sairmos daqui - ele sussurrou no ouvido dela e a voz dele tinha um tom quase alegre, os lábios dele deslizaram pela bochecha dela - Eu odeio você - ele sentiu ela estremecer, ele a ouviu engolir em seco.

    De certa forma a frase dele não foi surpresa, se ela conseguisse fazer o que se passava em sua mente aquela certamente seria a última noite de Sara, a última dança, o último momento, mas afinal, depois de tudo, poder se vingar dele daquela forma valeria qualquer preço.

    Ela fechou os olhos, suas mãos subindo pelas costas dele, seus braços envolvendo o pescoço dele. Sara apoiou o queixo contra o peito dele, deixando seu corpo se mover no ritmo da música.

    "Born to die..." - ela se ateve a um trecho da música, sentindo os olhos encherem de lágrimas, sentindo aquela dor que a devora invadi-la, tentando se sobrepor à sua cogarem, mas era a última chance de ir até o fim. Nascida para morrer, no fim não eram todos assim? Seus braços apertaram mais em torno do pescoço dele.

    As mãos dele desciam pelas costas dela, deixando um rastro gelado, a respiração dele lembrava uma tarde de inverno, quando o vento cortante parecia congelar até os ossos.
    - Vai ser divertido Sara, ao menos para mim - ele deixou seus lábios correrem o pescoço dela - Já está sendo... sabe o garçom? Ele está tão decepcionado ao ver você em meus braços. Ah Sara, você o iludiu e agora ele a acha uma vadia, não que não seja.

    As mãos dela deslizaram pelos ombros dele, agarrando a gola da camisa dele, uma de cada lado enquanto ela afastava-se e erguia o olhar para ele, o azul dos olhos de Raphael a esmagou, mas nada a deixaria pior do que já estaa, nem as palavras dele.

    "Don't make me sad, don't make me cry... Sometimes love is not enough and the road gets though" - mais uma frase, os olhos dela brilhavam pelas lágrimas ali acumuladas e quando ela os fechou elas escaparam, correndo por suas bochechas, descendo por seu queixo.

    - Poupe suas lágrimas Sara, você vai preisar delas mais tarde - Raphael ergueu a mão e deslizou suavemente pelo rosto de Sara, quase uma carícia, apagando as marcas deixadas pelo choro.

    Sara abriu os olhos novamente, seus dedos agarrando com mais força a camisa petra de Raphael.

    - Eu também te odeio - os lábios dela delinearam cada palavra num sussurro baixo, rouco. A dor parecia invadir suas veias assim como o olhar dele a penetrava, frio, sem vida, roubando a vida dela. Seria um mergulho sem volta, um mergulho num mar congelado - mesmo que eu morra eu vou... continuar a odiar - a voz saia cada vez mais esmagada, quase morrendo ao fim da frase.

    Num impulso ela ficou nas pontas dos pés e então o puxou para si, seus lábios colando-se aos dele, movendo-se, as presas arranhando a pele fria e macia de Raphael, misturando o gosto salgado das lágrimas de Sara com o gosto frio do sangue dele.

    Como se beijasse uma estátua, fria e imóvel, Sara deixou sua língua percorrer pelos lábios dele, sentindo ainda uma das mãos dele em sua cintura. Ela forçou o corpo contra o dele, sentido-se encostar numa geleira, sentindo-se morrer aos poucos.

    Ela soltou a camisa dele e passou a segurar o rosto dele, precisava ter certeza que ele não se afastaria até que a atenção de todos estivessem sobre eles.

    Seus dedos deslizaram, arranhando a nuca dele, enquanto ela sugava e mordia o lábio inferior dele. Agora ela tinha quase certeza que todos os olhava, afinal um casal parado em meio a uma pista de dança era algo incomum, além disso ela podia ouvir claramente os sussurros, o burburinho. Tinha que continuar.

    Suas mãos subiram apra os cabelos platinados do vampiro, seus dedo enroscando-se nos fios enquanto ela se afastava por um segundo para tomar fôlego, voltando a a beijá-lo, voltando a forçar sua língua contra os lábios dele.

    Nada, ele permanecia imóvel e agora a coragem dela começava a esvair, como se alguém abrisse um ralo e tudo sumisse, mas não, não havia terminado. Ela se agarrou ao último impulso que restara e então se afastou, seus olhos castanhos fixos no rosto de Raphael, ele a encarava de volta, uma expressão indecifrável, mas ela não. Sara sorria com um ar de vitória, seus braços ainda em torno do pescoço de Raphael. Ela olhou então para Cristine, seu olhar tornando-se malicioso, maldoso enquanto seu sorriso se abria ainda mais.

    "Ele é meu, mesmo você tendo um sangue puro, Raphael prefere a mim" - ela disse, erguendo a ponta do nariz, olhando com superioridade para a vampira de sangue puro. Se morreria naquela noite, arrastaria o que pudesse com ela, se vingaria de Raphael mesmo que fosse a última coisa a ser feita. Despertaria o ciúme e a ira de quem fosse apenas para acender ainda mais a ira dele.

    "We were born to die..." - Aquela frase era tão perfeita que Sara sorriu ainda mais, suas mãos deslizando dos ombros de Raphael. Vários olhares sobre ela, sobre ele, não fazia diferença, o único olhar que importava era o da vampira e ela parecia desgostosa.

    - Desculpe meu amor - Sara virou-se novamente para Raphael - Mas acho melhor ir embora, sua amante está descontente com minha presença aqui - ela disse, alto o bastante para que todos ouvissem.

Convidad
Convidado


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Re: ..:: Breaking the Ice - Cap. VI ::.. Revenging - Pg 16

Mensagem por Convidad em Sab Mar 31, 2012 11:36 am

    Ela afastou-se de Raphael, passando então na mesa do casal e pegando sua bolsa, ainda sorrindo daquele modo, mas por dentro o olhar de decepção deles a matou. Era claro que eles haviam ouvido o que ela dissera.

    Ela passou pela mesa onde estava o garçom com quem conversara e então retirou o cartão que ele lhe dera da bolsa, amassando e jogando-o no chão.

    - Me perdoe, eu não valho tanto quanto pensa, na verdade, eu não valho nada - ela disse, a voz saindo amargurada. Ela deu as costas e então voltou a andar, caminhando pelo salão, saindo do restaurante, a expressão confiante sumia a medida que ela sentia a presença de todos se afastar, a medida que alcançava o elevador. Ainda sorria quando se virou para frente, mas assim que as portas se fecharam todas suas feridas pareceram sangrar de uma única vez, seu corpo escorregando lentamente pelo espelho, seus joelhos se dobrando.

    Ela teve que segurar um grito de desespero, teve que se recompor quando o mostrador digital indicou que estavam no segundo andar, teve que sorrir quando passou pela recepção e quando chamou o táxi.

    - Para onde? - o motorista perguntou e Sara não soube o que responder. Para onde iria? Para onde iria para morrer? Onde se deve ir para esperar a morte?

    - Por favor... - a voz dela saiu num fio, sorrir era bem mais fácil do que falar - E-eu... - era melhor se livrar daquele vestido, era melhor passar a noite longe da Academia, nem que ela precisasse implorar por um vaga num hotel, nem que tivesse que ficar embaixo de uma ponte - o senhor conehce alguma loja... uma loja de departamentos que esteja aberta? - ela perguntou e o homem franziu o cenho.

    - Sim - respondeu num tom confuso, encarando-a pelo retrovisor.

    - Me leve até lá e depois... para qualquer hotel, qualquer um mesmo - ela mordeu o lábio, esperava que ele não fizesse perguntas e pela primeira vez em meses suas preces foram ouvidas. Na verdade a agonia na voz de Sara era tão grande que o homem sequer a quis questionar, mesmo curioso sobre o que poderia ter acontecido aquela menina rica. Aquilo o convenceu de que dinheiro não comprava tudo.

    Mais mentiras. O motorista a deixara no Fairmont Hotel depois de levá-la a loja onde Sara comprou uma calça jeans, tennis barratos e um moletom.

    Na recepção do hotel ela dissera que havia ido a um importante jantar com seu noivo, mas que havia discutido e como ela não queria que o pai soubesse para não decepcioná-lo, afinal seu noivo além de muito querido era filho de um importante sócio do pai, ela precisava passar a noite ali. Sara implorou, disse que pagaria a mais, disse que ligaria para os pais se houvesse qualquer outro problema e por fim conseguiu convencer ao homem.

    Com o cartãod e acesso ao quarto ela se afastou do balcão, ao ponto de ouvir o homem, penalisado, comentar o quanto haviam homens cruéis que usavam suas filhas para conseguirem fechar negócios.

    Sara sentiu-se um monstro por colocar seu pai naquela posição, mas ela não tinha escolhas. Sua última noite e ela agora condenava seu pai a um julgamento que ele nunca merecera.

    Assim que entrou no quarto Sara correu para o banheiro, suas mãos tremiam nervosamente enquanto ela se livrava do vestido, rasgando-o, sequer se importando e entrava no jato de água quente. Ela precisava de calor, mesmo que fosse por um breve momento, mesmo que depois o frio que a fosse invadir fosse mortal.

    Surpreendentemente, mesmo com a dor corroendo cada um de seus sentidos, ela não chorou, seus olhos permaneceram secos por todo o tempo, durante o banho, enquanto se vestia, enquanto secava seus cabelos, deixando-os lisos novamente.

    A roupa não ficara tão confortável, ela sequer pudera experimentá-las, o tenis apertava um pouco, o moletom era grande, as mangas cobriam suas mãos, escorregava deixando um dos ombros nus.

    Ela deitou-se na imensa cama e ela encarou o que restara do vestido jogado à porta do banheiro, os restos daquela noite, os restos dela. Agora a dor parecia tornar-se tão forte quanto naquele momento no elevador, agora as lágrimas invadiam seus olhos e ela não precisava mais se segurar, não havia mais ninguém para enganar.

    Seu corpo estremeceu com o soluço e logo o choro começou enquanto ela se encolhia sobre o colchão, os punhos fechados contra os olhos enquanto as cenas daquela noite repassavam em sua mente, enquanto as palavras de Raphael soavam em seus ouvidos como se ele estivesse ali.

    Ela lembrou-se então do começo de tudo aquilo, do esbarrão na cafeteria. Como as coisas teriam sido se ela tivesse simplesmente dando a volta e continuado? Como as coisas seriam se seu começo com Raphael fosse outro? No fundo ela sentia que não seriam diferentes, os dois eram opostos extremos, a presença de um praticamente destruia a presença do outro, eram o tipo de pessoa que não podiam ocupar o mesmo espaço.

    Ela lembrou-se da primeira vez em que bebera o sangue dele, do frio por dentro e por fora, do medo de morrer naquela noite, o dia seguinte. Sentir o sangue de Raphael a rasgando por dentro, sentir a culpa por ter desejado o sangue dele.

    A segunda noite, a segunda vez que bebera o sangue dele, os lábios dele correndo por seu pescoço. Ele também queria mordê-la, ela sabia disso, ela também queria isso. Inclinou a cabeça para trás, esperando, mas isso não aconteceu.

    Sara ergueu a mão e tocou o pescoço, então toda aquela loucura da boate, as lembranças que ela mais temia porque simplesmente não exisitiam, ela acordara no dia seguinte em seu quarto, o cheiro fresco do sangue humano em suas veias, aquilo a fez decidir que colocaria um fim naquilo.

    Os dedos dela deslizaram por seu pescoço, ainda sentia as presas dele ali, era capaz de sentir a presença sufocante dele. Estaria próximo ou era apenas uma ilusão? Uma ilusão, não havia ninguém ali além dela.

    Outro soluço. A quarta noite foi como um golpe de misericórdia, algo que a destruiu por dentro. Parecia que ambos haviam encontrado um meio termo, em silêncio, nenhum dos dois se magoava. O corpo dele sobre o dela, a sensação da mordida. Não era gentil, mas nada nele era gentil, mas ainda assim quando ficaram em silêncio e ela desejou descobrir o que ela pensava, por um momento...

    Outro soluço, seu peito pareceu se rasgar ao perceber algo, ao perceber que naquele momento havia acontecido algo, ao menos dentro dela. Seria possível? Então ela era aquele tipo de garota?

    No momento seguinte tudo se perdeu, Filipe a tocando, os olhos frios de Raphael sobre os dois, era tanta dor, misturada a dor física pelos socos e mordidas de Matrelli, pela dor física do sangue frio de Raphael em seu corpo e por toda a dor que ele trazia. A dor por perceber que ele só impedira Matrelli porque Sara não estava reagindo como ele queria, não estava gritando ou lutando, então o pestáculo não era divertido.

    Sara se abraçou, seu estômago se embrulhando ao lembrar da sensação de Filipe sobre ela, do fato de ter sentido a excitação do vampiro prestes a macular seu corpo. Naquele momento ela desejara morrer, não importava mais seu pai, ou sua mãe, seus amigos que certamente mal a reconheceriam quando ela voltasse. Nada, só havia aquela dor que consumia todos seus sentimentos, que a afogava num mar de olhos azuis. Ela queria que ele a matasse, mas ele não o fez, ele não fez nada, não disse nada e assim ficaram por dias.

    Mas agora não. Ela tinha certeza de que dessa vez Raphael Grifftis a mataria, dessa vez ela teria que tentar se defender de verdade, mesmo sabendo que seria inútil. Seus lábios arderem, tremendo pelo choro quase descontrolado, pelo medo. Ela quase conseguia imaginar a expressão dele, o prazer em seus olhos enquanto arrancava o coração dela.

    Não que houvesse muito para arrancar de seu peito depois daquela noite, afinal aquela fora sua cartada final. O beijo, os lábios de Raphael sob os dela, ele imóvel, a mão dele em sua cintura. Ele estava com tanto nojo que fora incapaz de afastá-la, ou talvez tão surpreso que não pode reagir. As coisas que ela disse, os olhares. Certamente Edgar Kalicki tiraria satisfações com ele, poderia até mesmo matá-lo. Era isso que ela realmente queria?

    O sentimento de culpa atingiu em cheio a vampira. Ela não era como os outros do turno noturno, não queria ser, mas havia feito exatamente o que qualquer um ali faria. Mais uma vez ela se questionava sobre o tipo de pessoa que estava se transformando, que Raphael a estava transformando. Ou talvez ele simplesmente tivesse razão e ela não pudesse fugir de quem realmente era.

    "Não!" - a mente dela gritou em desespero. Ela não era tão baixa e cruel, ela só estava se defendendo, só estava jogando com as armas dele, só estava... sendo como ele, sendo uma vampira fria e manipuladora. No fundo, ela caminhara tanto para a escuridão naqueles curtos meses que nem mesmo se reconhecia.

    Seus sorriso antes expansivo estava quase apagado, seus olhos brilhantes e claros agora tinham um ar desconfiado e ela aprendera a mentir e enganar para ter o que queria, até mesmo bebera sangue humano!

    A dor por perceber o que havia feito em tão pouco tempo pareceu ser o golpe final e mais uma vez, exausta e afogada no próprio choro, a consciência de Sara desligou-se e ela apagou.

    Se naquela noite a morte decidisse buscá-la, encontraria uma presa frágil, cansada, uma presa que mal podia se defender sem vontade de se defender. Agora havia lascas de gelo e neve na escuridão, havia sangue manchando o imaculado branco, mas logo, não haveria nada.

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