[Quarto 1A] Yan Yuriev

Ver o tópico anterior Ver o tópico seguinte Ir em baixo

[Quarto 1A] Yan Yuriev

Mensagem por Convidad em Qui Dez 27, 2012 10:28 pm

Acomodações Quarto do Diretor

Todas as acomodações da Acadêmia Cross oferecem conforto e comodidade para os seus alunos e funcionários. Com ambiente climatizado e ótimos móveis de carvalho, os dormitórios geram um ambiente agradável mesclando o contemporâneo e o erudito de forma harmônica.
As paredes dos Dormitórios da Lua são revestidas com papel de parede e o chão é de carpete transpassado para aguentar as baixas temperaturas durante o Outono/Inverno. As aberturas (janelas e portas) são amplas, possibilitando a passagem de ar fresco e sol, mas para os que não apreciam a luminosidade natural, os quartos possuem grossas cortinas para melhor controle da luz local.
Além dos materiais de qualidade encontrados no ambiente (roupa de cama, wi-fi, telefone, calefação, climatizador), todos quartos possuem banheiros com chuveiro e banheira. As pias e balcões são revestidos com mármore claro e madeira. O espaço de banho é dividido por uma cortina branca de tecido leve que camufla o chuveiro e a banheira, visando na funcionalidade e na decoração do ambiente.

Convidad
Convidado


Voltar ao Topo Ir em baixo

Re: [Quarto 1A] Yan Yuriev

Mensagem por Convidad em Qui Jan 03, 2013 4:01 pm

    Yuriev entrou em seu luxuoso aposento no prédio do dormitório noturno, retirando seu terno e afrouxando a gravata sentando-se então na ponta da cama para retirar seus sapatos.

    Ele mexeu a cabeça de um lado para o outro, relaxando o pescoço e apanhando seu celular em seguida. Fez contatos rápidos, todos em romeno, mas a última ligação era a que mais demoraria e a que ele mais temia.

    - Eleazar - ele chamou na linha e o que se ouviu do outro lado foi um intenso silêncio. Certamente Eleazar Yuriev estava ciente do desaparecimento de Ruri, ainda mais quando Yan havia contatado a todos em busca de informações da irmã, mas como o pai não havia entrado em contato em nenhum momento, Yan sabia que aquela seria sua obrigação.

    - Há algum tempo eu não ouço sua voz... - a resposta do outro lado da linha veio num tom rouco e frio - Gostaria de estar feliz por ouvi-la agora, mas seus atos descabidos e sua inutilidade assombram qualquer tipo de emoção que poderiam surgir nesse momento. Talvez reste um pouco de desprezo, ainda assim seria muita importância. Mas me diga o que quer meu filho.

    Yuriev sentiu um gosto amargo encher sua boca e seus olhos azuis endureceram, pareciam imensas safiras ou lascas de gelo.

    - Estou fazendo de tudo para encontra-la, sabe que prezo Ruri acima de qualquer outra coisa - Yuriev respondeu, tentando transparecer calma em sua voz, mas seu interior desmoronava como um iceberg sob o sol. O simples fato de falar com Eleazar, ainda mais sem Ruri por perto, desestabilizava qualquer emoção dentro do vampiro.

    - Você sempre foi inútil Yan, tenho vergonha de ter gerado alguém tão fraco, tão humano quanto você. Se pudesse voltar ao tempo, teria arrancado sua cabeça ainda no berço e teria arrancado o útero de sua mãe, para que jamais gerasse outro ser como você. Ruri foi um bálsamo afinal, mas agora ela esta perdida, por sua culpa - uma pausa se fez. Cada palavra de Eleazar transformava o sangue de Yan em agulhas que corriam por sua veia, como se estivesse reparando o vampiro para o que ainda estava por vir.

    - Eu sempre a protegi - Yan ensaiou um novo início de frase, mas uma risada gélida o interrompeu, uma voz aguda e fina exclamou um “tolice”. Era sua mãe.

    - Assim como protegeu sua humana? - Eleazar não poupou sarcasmo à sua voz - Yuriev, eu gostaria que você parasse de tentar e uma vez em sua vida, uma vez apenas, fosse realmente efetivo. Não bastasse as piadas que ainda ouço por ter um filho fanfarrão que se apaixona pelo prato que come ainda perco minha preciosa joia. Entregar Ruri a você foi como alimentar um porco com um banquete.

    Yuriev respirou fundo, sentindo o veneno pingar de suas presas, o ódio fazendo seus olhos ficarem vermelhos, sua pele ficando tão fria quanto a de um morto. As lembranças da temporada no calabouço tomaram sua mente e ele estremeceu, os dedos apertando o telefone com força.

    - Velho imundo - ele sussurrou - Seu coração ainda dará as últimas batidas entre meus dedos, eu juro... - Yan sibilou, a voz saindo entre os dentes enquanto ele tentava manter a calma.

    - Eu gostaria de ver isso meu jovem, assim eu poderia dizer que tenho orgulho de ter um filho com culhões - Eleazar respondeu em sua voz rouca e imutável - Além de gastar meu tempo há algo mais que queira me dizer?

    Um rosnado baixo escapou do peito de Yuriev e ele usou grande parte da força de vontade para não estourar o aparelho telefônico entre os dedos .

    - Não senhor - Yuriev engoliu todas as palavras que dançavam na ponta de sua língua - Eu gostaria de falar com Selena - ele disse e logo a voz doce de sua mãe falou ao telefone. Tão doce como uma ferroada de abelha.

    - Apenas fale comigo quando estiver com Ruri, enquanto não encontrar sua irmã é a metade de um homem para mim e eu não falo com metade de nada! - ao contrário da voz imutável do pai, a voz de sua mãe externava ódio - Você jogou Ruri nessa busca sem fim por aquele vampiro que devora almas e agora ela está perdida. Se não encontrar sua irmã eu derreterei o gelo Yuriev, eu mesma farei isso e entregarei seu coração de uma vez por todas para quem merece! - a mulher encerrou a chamada aos gritos.

    Yuriev ainda ficou alguns segundos com o fone mudo no ouvido, seus olhos voltando ao azul profundo lentamente enquanto ele encarava a parede diante dele.

    Ele pousou o celular sobre o colchão e então levantou-se, caminhando até o imenso espelho que havia na parede, desabotoando lentamente sua camisa branca.

    Os poucos, a pele de mármore era exibida no reflexo, pequenas cicatrizes recentes corriam por toda a extensão do tórax. Garras, tiros, cortes, ele não poupara esforços para encontrar qualquer pista de sua irmã, mas fora tudo em vão.

    Ele fechou os olhos, erguendo a mão, os longos e pálidos dedos correndo por seu peito até encontra ruma cicatriz mais profunda quase no centro. Fora por ali que seu coração fora retirado.

    Seus dedos correram diversas vezes pela cicatriz, sentindo o vazio que havia ali dentro, não que se houvesse algo ali faria diferença. Yuriev seria sempre oco e vazio, como uma porcelana a ser admirada.

    - Ugh... - ele gemeu de dor, um dos joelhos dobrando quando os dedos perfuraram a carne facilmente, o cheiro de seu sangue se alastrando pelo ar.

    No espaço onde veria estar seu coração não havia nada além de um grande cubo de gelo que agora era arranhado por suas unhas, causando uma dor excruciante.

    “A metade de um homem... Você é a metade de um homem...” - ele repetiu para si mesmo, envolvendo o cubo de gelo em sua mão e puxando-o para fora.

    A dor era imaginável, qualquer vampiro teria se desfeito em cinzas. Sobre os joelhos, seu corpo sofrendo intensos espasmos, Yuriev ergueu o cubo diante dos olhos. Dentro do cubo a neve caia, eterna, assim como o gelo que tinha em mãos.

    Para muitos vampiros a eternidade e a sede eram maldições terríveis, para Yuriev o gelo era sua única maldição.

    Arfando, filetes de sangue descendo por seus lábios sem cor, ele recolocou o cubo de gelo ali na ferida aberta em seu peito, cicatrizando-se em seguida.

    “Tolo....fraco...” - ele repetiu enquanto lambia o sangue em seus dedos, sua camisa empapada no líquido escarlate - “.... agora precisa de sangue... mais uma vez....”

Convidad
Convidado


Voltar ao Topo Ir em baixo

Ver o tópico anterior Ver o tópico seguinte Voltar ao Topo


 
Permissão deste fórum:
Você não pode responder aos tópicos neste fórum