Sala de Música I

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Sala de Música I

Mensagem por Convidad em Sex Dez 28, 2012 8:11 pm

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Re: Sala de Música I

Mensagem por Convidad em Sex Dez 28, 2012 9:04 pm

Raphael Grifftis
Raphael havia se dispersado dos demais seguindo para o seu local favorito dentro da academia. Fazia alguns meses que ele não praticava o que mais gostava de fazer nas horas vagas, tocar violino e piano. Na verdade, ninguém imaginava que ele era tão bom tocando instrumentos clássicos, já que seu estilo rebelde metido a badboy não combinavam em nada com seus hobbys favoritos.

Ele entrou na escola vazia e sentiu um esquisito sentimento de nostalgia, algo estranho para ele que já estava acostumado a não sentir nada. A cada passo que ele dava os sapatos de couro ecoavam pelos corredores vazio, não havia ninguém exceto um funcionário ou outro transitando pelo local.

Grifftis não estava com paciência para esperar as “graças” de Yan Yuriev e todas aquelas cortesias e condolências falsas de pessoas que o odiavam, ou pior, não sabiam que ele existia, sempre mascarado pela sombra do finado pai.

Ser um mestiço era algo terrível para um vampiro tão orgulhoso e cortejado como ele era, facilmente ele encontrava pessoas mais fortes que adorariam destruir com sua raça e apoderar-se de toda a nobreza que adquirira com a morte do pai. Mas por incrível que parecesse, ele sempre conseguia sobrepor-se a qualquer vampiro nobre, nunca ficaria atrás mesmo que morrer fosse a última opção.

Ele continuou o solitário percurso e subiu as escadarias que davam acesso as salas de músicas. Raphael estava tão disperso em sentimentos passados que não estava prestando atenção por onde caminhava, se alguém estivesse caminhando por ali certamente se assustaria com seu silêncio e palidez que reluzia pelas sombras dos corredores.

De modo incisivo ele segurou a maçaneta dourada e abriu a porta, entrando no recinto onde um belíssimo piano de cauda negra repousava a sua espera. A fraca luz que entrava pela janela de vidro refletia pequeníssimos pontos de poeira que pareciam brilhar como gotas de orvalho no amanhecer.

– Há quanto tempo, meu velho amigo. – ele riu rouco do próprio comentário, afinal não era muito normal pessoas falaram com instrumentos musicais.

Com passos lentos, ele caminhou até o lustroso instrumento abrindo gentilmente a tampa de proteção das teclas de marfim, belíssimas e convidativas. De pé ele tocou duas notas agudas que soaram tristemente pelo ambiente como se fossem prantos.

A mão pálida deslizava vagarosamente formando uma melodia dolorida e muito bela. Os olhos azuis de gelo perdiam-se em cada tecla acompanhando a movimentação dos dedos.
Conforme o tempo passava o ritmo da musica tornava-se acelerado, com somente uma das mãos ele conseguia tocar uma melodia simples completa, os cabelos prateados deslizavam pelo rosto perfeito por causa da movimentação do braço.

A cada som ele lembrava-se do pai que havia lhe ensinado a tocar diversos instrumentos clássicos. A cada nota o rosto de Alexander tornava-se mais nítido em sua mente, o rosto severo sempre exigindo o melhor dele, a raiva e a dor criando forma dentro do subconsciente de Raphael.

Agudo.

Uma nota aguda e estridente soou distorcida no ar, enquanto o vampiro sentava-se lentamente na banqueta do piano tocando para as próprias frustrações.

Nota: Música que o Raphael está tocando.


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Re: Sala de Música I

Mensagem por Zetbrake em Sab Dez 29, 2012 12:16 am

Aproxima-se do destino... passo a passo, deleita-se com os reconfortantes sons emitidos da misteriosa sala...

-
Cada uma das notas... tão profundas e melancólicas como lágrimas contidas... sendo derramadas direto pelo coração, e tingidas pela mente...

Aos poucos, dançava como se fingisse bailar pelos corredores vazios, deixando-se levar pela música que lhe tocava por dentro e a movia por fora.

-
Seja lá quem for o responsável por isso... com certeza não está tocando o piano... mas sim, sendo tocado por ele...

Ela chega à devida sala... Remilia para, diante da porta do local que aparentava ser de onde a música saía; encarava a porta, como se fosse um sonho preparado para fitar a realidade.

-
[Ali está a pessoa...? Preciso saber quem é...]

Ela anda devagar... em silêncio... cautelosa... aproveitando o momento e a melodia enquanto se aproximava da verdade... seus escarlates olhos cheios de ansiedade, procurando pela maestro...
Seus dedos delicadamente abrem a porta aos pouquinhos, sem causar problemas ou ruídos a quem estivesse dentro... Parecia um anjo espiando um segredo proibido.
A porta abre silenciosamente... furtivamente... um olhinho já pode ver por entre a fresta... E lá, Remilia se depara com a visão tão agraciada.

-
Oh... então, é ele...?

Um jovem raro... tão claro quanto a pouca e esplendorosa luminosidade por entre as cortinas... tão radiante quanto os raios que refletiam pelo assoalho de madeira e pelo piano... seus cabelos pareciam diamantes maleáveis, que bailavam com cada nota. O piano parecia cantar para uma alma perdida, clamando sua redenção e consolo.
Estava distraído, afogado entre as teclas do piano.

-
....awww.... que anjinho injustiçado mais meigo...

Sussurrava para si; cada vez que piscava lentamente o olho, se sentia mais maravilhada por saber que, ao abrí-los novamente, a visão do paraíso ainda estava lá. A mais bela gota d'água do oceano...
Abriu um pouco mais a porta, sem chamar o mínimo de atenção; perturbar o jovem naquele momento seria uma lástima para ela mesma. Adentrou o salão, elegantemente mas discretamente, suficiente para passar despercebido momentaneamente, visto que ele parecia distraído; o rapaz estava de costas para ela, e ela fez um favor a si mesma de encontrar um acento a apreciar a rara visão que tinha, e escutar à melodia angelical...
Não queria incomodar o rapaz quanto ele tocasse.

-
[Essa música... realmente me repassa uma nostalgia indiscritível...huhu...]

O mórbido silêncio e a mórbida melodia coexistiram naquela sala de música...
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Re: Sala de Música I

Mensagem por Convidad em Sab Dez 29, 2012 1:31 am

Raphael Grifftis
Milhares de pensamentos vibravam na mente de Raphael exatamente como as notas que ele reproduzia no piano. A triste melodia que o mergulhava em décadas passadas, ressuscitado aquele que partira de forma misteriosa levando consigo um reino, o resto de humanidade que ainda havia em Grifftis.

Por quantas madrugadas Alexandre e Raphael passaram juntos tocando os instrumentos luxuosos da sala de estar da mansão dos Grifftis? Apesar dos conflitos e brigas constantes, os dois possuíam um estreito laço que muitos pais e filhos nunca chegariam concretizar. Alexandre sempre fora cúmplice das atitudes inadequadas filho, abafando todos os erros atrás de sua nobreza e genialidade, diferentemente de Raphael que o culpava por ter se casado com uma humana e por ele ter nascido mestiço.

Muitos sentimentos e lembranças confusas preenchiam a mente do vampiro que descontava todo o desespero em simples notas de piano. Ele poderia ficar ali por horas tocando sem se cansar, lembrando-se de Alexander e de Jeff parados no hall da mansão o aplaudindo de peito estufado as habilidades musicas que havia adquirido ao longo dos anos. Porém a presença que o cercava não eram deles e sim de outra pessoa.

Raphael tocou as últimas notas da melodia e abriu os olhos lentamente acordando de seu transe profundo. Ele espiou pelos cantos dos olhos de gelo e viu uma pequena garota sentada alguns metros dele, aparentemente admirada com a melodia que ele acabara de tocar.

Para a infelicidade de Raphael ela era um sangue puro, todo o poder e resplendor de um vampiro de elite contida por debaixo de uma fina camada de pele. Ela era tudo o que ele nunca seria. O que poderia fazer na presença de um ser tão genuíno? Raphael queria pular do piano e rasgar a garganta da pequena garota com as presas afiadas, drenar a existência dela como fizeram com seu pai. O precioso sangue de um nobre lhe daria forças, cobririam os buracos de sua fraca existência.

Sara, ela não estava ali para ser seu alvo, talvez ela fosse fraca demais para ele. Raphael não sabia exatamente o porquê de ter se lembrado dela naquele momento tão precioso diante de um sangue puro e a sós. Ele precisava sanar suas principais curiosidades diante daquele ser que o fitava sem qualquer sentimento, exceto excitação pela música.

– Pelo visto gostou de minha música. – de costas para ela, Raphael falou de forma cuidadosa, os dedos baixando gentilmente o protetor de notas. Ele girou o quadril na banqueta de madeira negra e encarou a vampira, analisando todos os seus traços. A garota era esguia, pequena e bastante delicada, os cabelos curtos e azulados envolviam o rosto como um embrulho de presente, contrastando com os imensos olhos escarlates.

Talvez aquele fosse o momento para ele arriscar algo eloqüente, que praticamente o levaria direto para os portões do inferno. O vampiro ergueu-se do banco e caminhou vagarosamente até a vampira, olhando-a do alto, já que ela estava sentada e ele em pé.

Como um robô, ele ergueu a mão pálida e tocou a bochecha da garota com os dedos. O toque frio faria qualquer pessoa sentir um grande arrepio pelo corpo, mas este não era o caso, já que ela era tão fria quanto ele.

Ele deslizou o dedo frio pela lateral do rosto dela até chegar ao pescoço, parando na gola rendada da roupa que ela usava. A expressão de Raphael era dura e séria, resignada pela ousadia de suas atitudes diante um sangue puro. Os olhos estavam fixos nos olhos dela, o azul e o vermelho se encarando de forma intensa, enquanto ele fazia um apelo silencioso pelo tesouro que ela guardava por debaixo da pele.

– Você me daria o seu sangue? Só um pouco. – ele inclinou-se levemente sobre ela, os olhos pareciam lascas de gelo que brilhavam por conta da baixa luminosidade do local. Os cabelos caiam desalinhadamente sobre o rosto perfeito, como se tivesse sido talhado em mármore por um artista renascentista. Raphael era como um pedaço de sonho, porém mortal. Mas agora, quem corria perigo era ele nas mãos da desconhecida sangue puro que estava sentada na belíssima poltrona vitoriana. – Eu preciso de algo que ocupe minha mente. – ele afastou os lábios e deixou exposta as presas afiadas como estacas de gelo, os dedos se enroscando nas rendas das roupas que envolviam o pescoço dela.


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Re: Sala de Música I

Mensagem por Zetbrake em Sab Dez 29, 2012 1:57 pm

O clima havia mudado... a atmosfera se tornou mais densa, porém espontânea a partir do momento que a canção dos céus encerrou....
Remilia estava estática, movida pelas sensações que a música havia a causado, calada com a mão sob o queixo, a observar o concerto terminar.
Deveras, fora algo lindo... mesmo que profundamente fúnebre.
O jovem vira-se para a vampira, e ela acorda de seu fascínio... então aí reparando, enfim.

-
[Oh, ele é um vampiro... Agora que fui perceber...]

A anterior melodia e seu envolvimento emocional com ela haviam distraído sua mente, e Remilia, até então, não percebera que se tratava de outro vampiro... um mestiço.
Porém... Remilia pouco se importava com linhagens ou pureza sanguínea... Diante daquele belo vampiro, ela sentia apenas entalpia.


-
De fato, você toca com a alma, meu caro; ao ponto de atrair até a minha própria...

Ele se levanta e caminha, vagarosamente, em direção à vampira. Remilia manteve-se centrada, tranquila --ou talvez tranquilizada por conta dos ainda presentes efeitos da música-- e com o olhar fixo nos cerúleos olhos do vampiro. Ainda parada, apenas descendo a mão de seu queixo ao seu colo, e mantendo a expressão usual e perfurante, com seu sorriso singelo e seu olhar sedutor e analítico; calada o tempo, apenas a ouvir o apelo do rapaz.

Ele se aproximou e, parado de pé frente a ela, tocou-lhe o rosto e desceu as gélidas pontas dos dedos até seu pescoço, onde os entrelaçou entre as rendas da gola... e fez o ousado pedido.

Remilia ficou sem palavras, e até então manteve sua expressão intacta... mas o jeito eloquente com o qual ele se aproximara dela e fizera o pedido lhe atiçou o interesse drasticamente... o toque de seus dedos, acariciando e gelando sua já fria pele e a forma como seu pescoço fora tocado, gentilmente, a instigou de forma discreta... mas em breve, notória.
Sua expressão de serenidade foi, aos poucos, sendo convertida em uma de ânsia; mesmo para ela, a tentação começava a se fazer presente, enquanto ela suspirava com o toque, sentindo-o o máximo possível e desejando.
Aquele vampiro diante dela, majestoso, imponente mas frágil e melancólico aparecia a ela como um anjo redentor a levá-la aos céus... ou ao mais delirante pecado.

Ela se deixou ser tocada, e os dedos descendo pelo pescoço a fizeram brevemente ofegar. É como se ela, de fato, quisesse realizar o desejo do rapaz e saciar suas vontades... o que não seria mentira.

Suas palavras, ainda contidas em sua garganta, faziam ela parecer à mercê daquele ser, enquanto ele se inclinava e quase deixava a pele do rosto da vampira sentir as mechas de seus cabelos, afastando-se logo em seguida, aumentando a tentação, e deixando a ela a decisão.

Remilia voltou a sorrir, e seu olhar agora já estava mais penetrante, como se tentando ver a verdade por trás das cortina do paraíso...

Os pensamentos daquele rapaz... sua angústia.... seu sofrimento... a dor e o desconsolo, tudo junto... Remilia podia ver tudo; lembranças sobre seu pai, arrependimentos, revoltas, ressentimentos... tudo aquilo contido em um único coração; a instabilidade dentro dele era tamanha, que ela cessou um pouco seu sorriso, ao encerá-lo, desolado e perdido, e então fitou seus dedos...

Sim, Remilia compreendia bem aquele momento, aquelas emoções... era como um labirinto: cada parede que seus sentimentos criavam, sem sentido algum, faziam corredores que apenas o loderavam para a escuridão interior... e o desespero o fazia quase gritar por conforto, por alguma luz.

Remilia já sentira aquilo... perfeitamente... a morte de um parente, um ente querido, alguém que nos servia de símbolo de perseverança...

--Roselle von Himbeere--

...esse nome ecoou pela mente e coração da vampira enquanto ela se enxergava naquele jovem sem apoio algum.

Ela não podia perecer diante do desespero... ela possuía alguém mais perdida que ela diante de seus olhos quando a tragédia ocorreu... alguém que quase se entregara à loucura; alguém que, mais do que a própria vampira, precisava de apoio, companhia, consolo... precisava de ajuda e atenção; alguém mais afetada ainda pelo labirinto de emoções...

--Mary...--

Remilia sofreu uma catarse e pôs-se eu seu lugar; lembrou do porque resistira toda a dor... e de toda dor que sentira antes, durante e após esse evento... lembrou-se porque tinha que ser forte, mesmo sofrendo por dentro.

A vampira, nesse momento, levou a mão até o rosto do rapaz, acariciando-o como ele a acariciara, com um olhar sereno, pacífico e compreensivo... um olhar materno.

Era um completo desconhecido... mas sentiu como se o conhecesse apenas pelo coração... e como se devesse conhecer mais ainda; virá uma parte do interior daquele ser, bem como seus desejos e curiosidades... dúvidas e anseios... e entendia bem como ele se sentia.

-
Você... um rapaz muito doce...

Logo em seguida, levou a mesma mão em direção à mão dele, segurando seus dedos gentis com as duas mãos delicadas, como se o amparasse, e tirou a mão dele de seu pescoço, levando-o ao colo.

-
Mas... nada de beijos no primeiro encontro... huhuhu...

O olhar profundo dela era sincero: ela se preocupava com ele, mesmo não o conhecendo.

Motivos: talvez ela não precisasse. Ou talvez ela precisasse sentir que tinha um. De qualquer modo, queria mostrar a ele um lado do mundo que talvez ele desconhecesse... ou não se lembrasse. Queria confortar aquele coração perturbado.

-
Eu sei o que realmente quer... mas acredite em mim... entorpecer-se com meu sangue ou o de outro não irá lhe acalentar a alma nem esconder suas frustrações...

Levantou-se da poltrona requintada, ainda levando o vampiro pela mão, e caminhou, também devagar, até o piano negro.

-
Venha cá... por favor...

Guiou o rapaz para que se sentasse novamente no banquinho, sentando-se ao lado dele.

-
Deixe-me lhe retribuir o favor... eu insisto. Apenas sinta...

Remilia pôs-se a tocar para ele... tocar para uma alma angustiada... Não apenas tocar uma melodia, mas lhe acalmar a intensa depressão e fazê-lo sentir o mesmo que ele a fizera sentir... fazê-la se sentir, mesmo que minimamente... confortável.

Daquele momento em diante...

..ele não estaria sozinho...

...enquanto ela estivesse presente.

Os dedos delicados da vampira faziam as notas da música saírem, enquanto suas mãos bailavam como um concerto inteiramente feito para ele; era hora dele olhar para cima e ver qual esperança o aguardava.

Não era o sangue que iria saciá-lo... só iria sanar suas dores momentaneamente, anestesiá-lo... além de fazê-lo ver o verdadeiro lado dela, fazê-la ser exposta ao coração do rapaz.

Não era isso que queria, por mais que seus pensamentos dissessem o contrário. Ela queria que ele vivesse, enxergasse, entendesse e aceitasse a situação... queria fazer novamente o coração e a mente do rapaz entrarem em harmonia e fazê-lo superar a angústia.

Aquela melodia... era para ele.

Calada, e concentrada, sentindo a música... e tentando confortar o rapaz, Remilia angelicalmente faz as melancólicas mas reconfortantes notas soarem pelo corredor e pelos ouvidos do rapaz... Não queria fazer como ele... não queria que cada nota fosse como uma lágrima para ele... queria que nada nota fosse um sentimento... do fundo da alma dela.. para o fundo da alma dele...

...Sussurros do coração...
...aquele momento, ambos os compartilharam um do outro...

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Re: Sala de Música I

Mensagem por Convidad em Sab Dez 29, 2012 7:06 pm

Raphael Grifftis
As palavras de Remilia pegaram Raphael desprevenido, deixando-o com guarda baixa. Ele não conseguiu conter o pequeno sorriso afiado que brotava sobre a face, descrente do que a sangue puro havia dito. Grifftis já havia escutando muitas coisas a seu respeito, mas aquele adjetivo era totalmente desconhecido para ele. Somente uma única mulher havia lhe dito algo semelhante para ele, sua finada mãe que morreu como uma árvore velha diante dos imortais.

– Rapaz doce? – a voz dele soou rouca, repetindo descrente o que garota acabará de dizer. Aquelas palavras eram totalmente estranhas para Raphael, era como escutar a linguagem desconhecida de um povo já extinto.

Ele cerrou o olhar e estremeceu sobre o toque frio dos dedos de Remilia, ela retirou a mão dele do próprio pescoço e a colocou sobre o colo de forma gentil. Grifftis estava achando muito suspeita a movimentação da mulher, ele não acreditava na cordialidade dos vampiros, principalmente dos vampiros puros que pareciam ocupar todos os espaços daquela academia. Ocupar todos os lugares de sua vida.

Pela primeira vez em décadas Raphael sentiu-se levemente intimidado por outro vampiro que estava sabendo lidar com ele de uma forma quase anormal. Ela possuía tanta certeza das próprias palavras que ele chegou a acreditar no que ela estava falando. Ou melhor, talvez ela estivesse falando exatamente o que ele gostaria de expressar e não conseguia. Raphael sabia que muitos sangues puros conseguiam ler a mente e interpretar sentimentos confusos, talvez ela estivesse certa afinal.

– Mesmo que você saiba o que está acontecendo aqui... – ele ergueu a mão que estava livre e apontou na direção da cabeça, deslizando o indicador pela têmpora. – Você não sabe o que me faria melhor ou não! Se eu vou me culpar... se...

Raphael cortou as próprias palavras que vinham furiosas e ficou encarando o semblante sereno de Remilia, ele estava enlouquecendo com tudo que estava acontecendo, quem estava alterado era ele e não ela. Dificilmente ele era passivo com alguém. Mas desta vez... Uma única vez ele cederia à dor que carregava desde os últimos acontecimentos que vivera na Inglaterra. Ele viveria aquele dia para nunca mais lembrá-lo.

Raphael cedeu ao toque de mão da vampira que se erguia elegantemente da poltrona, o guiando pela mão até o piano em que anteriormente estava sentado. Ele não se esforçou para segurar a mão dela, Remilia era como uma mãe guiando o filho com extremo cuidado, como se ele fosse quebrar a qualquer segundo.
– Você é estranha. – ele disse em fraco tom, acompanhando as pequenas passadas da garota que estava na sua frente. O caminho era curto, mas pareceu extenso para as pernas de Raphael. Estaria certo deixar-se contaminar pelas vontades de uma sangue puro?

Ele sentou-se no banco novamente deixando um pequeno espaço para que Remilia também pudesse sentar ao seu lado. Já que ela fazia tanta questão de lhe devolver o favor, então que fizesse.

A melodia lentamente invadiu o cômodo, as notas e o som do piano eram afinados e hipnotizantes. Ela também sabia tocar muito bem o instrumento, e ele sentiu vontade de tocar de novo. Os dedos pareciam formigar ansiando pelo contato com as teclas de marfim. Raphael ergueu uma das mãos e ajeitou um dos pés no pedal fazendo alguns acordes na extremidade do piano, tocando as notas pouco utilizadas por Remilia.

Ele queria tocar com ela aquela melodia, os dedos tamborilando sobre as teclas de modo elegante, as mãos pálidas de ambos dançando pelo piano como ondas no oceano.

Raphael estava compenetrado no que fazia, os olhos de gelo fixos nos movimentos dos dedos dela, os cabelos deslizando suavemente pela face e pela nuca conforme ele movimentava-se para fazer o acordes com os pés, a fragrância amadeirada perceptível agora que ambos estavam mais próximos. Se Remilia o olhasse de canto ficaria hipnotizada com a seriedade que ele emanava ao tocar o refinado instrumento.

Após algum tempo tocando, Raphael afastou-se do piano e se ergueu de onde estava sentado, aproximando-se silenciosamente da janela, escorado contra a parede protegendo-se do sol. Ele deslizou as mãos para dentro dos bolsos das calças e retirou um cigarro mentolado.

Ele ficou ali escorado contra a parede deixando a fumaça sair pela janela, para não deixar qualquer tipo de cheiro que fosse desagradável dentro do ambiente. Ele ficou ali parado feito uma estatua encarando Remilia. Grifftis estava tão cansado aquela semana que simplesmente fechou os olhos, sem se importar com a cinza que se formava no fumo.



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Re: Sala de Música I

Mensagem por Zetbrake em Sab Dez 29, 2012 8:23 pm

Um relance... e a imagem dizia por si só.

Parecia a visão retratada por um quadro renascentista... aquele dois tocando juntos... talvez, por meros instantes, a música tenha os tornado um só ser. A sincronia... a harmonia... o equilíbrio... quem entrasse naquele mesmo instante, se hipnotizaria com aquele amaldiçoado par emitindo os sons da pureza naquela sala.

Remilia estava tão concentrada quanto o seu companheiro tocando o piano; sua expressão se alterara drasticamente enquanto seu sorriso e olhar desciam, como se ela fosse vazia... uma boneca melancólica tocando para os anjos.

Mas Remilia, por alguns instantes, desviou seu olhar levemente, para encarar o semblante do rapaz... e se admirar e orgulhar do que via.

-
[Então... essa é a sua verdadeira beleza...]

Pensou docilmente, para si mesma, enquanto tornava a tocar para aquele admirável ser.

O rapaz cessou o concerto e se levantou, indo em direção à janela e retirando um maço de cigarro... enquanto Remilia finalizava a homenagem tocando as teclas finais da melodia...

Spoiler:
**Referente aos 10 segundos finais da música em questão.**

Remilia manteve-se em silêncio durante todo o processo... não queria usar as palavras para fazê-lo entender o que ela queria mostrar... mas sim os próprios sentimentos do rapaz, tendo a melodia como catalisador.

E assim como antes, ao terminar de tocar, também manteve-se quieta, apenas a fixar seu olhar ao do rapaz, até o momento em que ele fecha os olhos...

Agora que a música acabou e ela já a sentiu e a deixou sentí-lo, era vez de Remilia deixar o silêncio mostrar a ele o seu próprio interior... tempo para reorganizar seus pensamentos.

Repousou seus delicados dedos sobre o colo, uma mão sobre a mão, e se pôs a apenas ver o vampiro, comtemplá-lo, esperando ele se reerguer da crise pela qual passava.

Uma fina fresta de luz que saía da janela passava em Remilia, uma linha vertical luminosa que lhe tocava bem no olho direito, fazendo sua cor escarlate reluzir ainda mais pelo ambiente, e para o rapaz.

Esperou pacientemente... deu-lhe tempo, consolo e companhia.
Não proferiu uma única palavra... e não o faria até ele se prontificar e dizer algo... ou querer que ela diga algo.

O que aquele vampiro precisava... era se ouvir.
Nada mais... nada menos.
E Remilia sabia disso.

-
[Espero que tenha ajudado...~]

Comportada, céssil... a encará-lo, apenas.
O único som a ser emitido lá de dentro da sala seria o do cigarro queimando, das cinzas caindo e de seus corações batendo...~
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Re: Sala de Música I

Mensagem por Convidad em Sex Jan 04, 2013 12:57 am

Raphael Grifftis
As cinzas caiam sobre o tapete da sala de música como neve em uma noite densa de Novembro. Uma noite fria e solitária, exatamente como Raphael estava se sentindo naquele momento.

Ele abriu lentamente os olhos de gelo para encarar Remilia que estava como uma boneca sem alma sobre o baquinho, as mãos encolhidas sobre o colo como uma verdadeira dama.

Raphael não gostava de sangues puros, mas aquela era diferente dos demais, ela possuía energia diferenciada, misteriosa e pacifica. Era estranhamente agradável, talvez... só talvez ele pudesse confiar em alguém pó um único dia.

O olho escarlate intensificado pela luz do sol parecia tragá-lo para lugares distantes, como se Remilia fosse capaz de acalmar todos os prantos que ecoavam dentro dele. Era estranho, quase surreal para Raphael.

Lentamente ele movimentou os lábios de mármore, queria dizer algo para aquela garota que lhe proporcionou pacíficos minutos de plenitude através da música, mas o cheiro de sangue invadiu o local como uma flecha pronta para atacar.

Grifftis sentiu o corpo tencionar, a garganta queimar como brasas numa pilha de palha. Raphael já estava com sede e aquele cheiro forte e poderoso somente havia piorado drasticamente as coisas.

- Eu preciso ir. – ele disse de forma rouca, a voz saindo entredentes por causa das sensações que aquele aroma estava causando nele. Os olhos azuis de Raphael iluminaram-se como duas velas na escuridão, ele ergueu a mão até os lábios e tocou nas presas afiadas, prontas para o ataque.
Raphael olhou de soslaio para Remilia, um olhar intenso e forte denunciando a reação diante do que estava ocorrendo na academia.

A passos largos, Raphael caminhou até a porta, mas antes tocou no ombro de Remilia, como se agradece por alguma coisa. Ele não sabia o porquê de estar sendo tão legal com ela, mas com certeza ela seria útil para investigar a morte do pai.

Ele abriu a porta da sala de música e desapareceu como um vulto pelos corredores do colégio. Talvez lá ele pudesse encontrar alguma informação sobre a morte de Alexander, e também descobrir o intenso cheiro de sangue que fluía pelo ar.


Nota: O post continua em Corredor dormitórios Night Class

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Re: Sala de Música I

Mensagem por Zetbrake em Ter Jan 08, 2013 7:10 pm

O vampiro se ia, abandonando o palco da cena que já estava para se encerrar.

Remilia sentiu, sem precisar ler pensamento algum, que, por mais que estivesse um tufão de pensamentos e sentimentos confusos, algo dentro do rapaz havia mudado. Talvez ela tenha conseguido o que queria... mesmo que parcialmente.

-
...Claro que você precisa ir...

Murmurou satisfeita para si mesma.

-
[...espero ter ajudado... mesmo que minimamente... Então, pessoas assim existem aqui nessa Academia junto à Mary, hunm...?]

Sua irmã mais problemática, Flandre von Himbeere, não parecia ser a única na Academia a parecer centro de futuras encrencas... claro, afinal era um ambiente que visava o impossível: unir humanos a não-humanos... era uma idéia fadada a dar errado... mas ainda existia aqueles desprovidos de preconceito... a própria Remilia, mesmo que marcada pelo lado ruim da humanidade, estava disposta a ver essa união acontecer... e alguns humanos talvez pudessem querer uma melhor relação... não se sabe, mas era uma esperança.

Sorrindo com um certo agrado, mas ainda passiva no banquinho do piano, observou os próprios dedos, serena, bem como observou também o piano.

-
Huhu... "Clubes", não é? Acho que já tenho uma leve idéia de quais vou querer entrar... ^^

Remilia pôs os dedos novamente nas teclas, visando tocar uma última e relaxante melodia antes de seguir com seu caminho... mas ao apertá-las, seus dedos travaram, e seu corpo estremeceu com "aquela sensação"...

Os olhos da vampira se contraíram, ela sentiu o coração apertar e uma terrível ansiedade subir-lhe pela alma...

-
[...O q-quê...?! S-Sangue....? De novo...?!!!]

Suas mãos levemente se retiravam do piano e fechavam a tampa de proteção; seu corpo sentia e estremecia, mas ela tentava manter a calma e o controle sobre seus instintos; ela não queria se render a esses desejos que agora considerava repudiantes... tinha uma imagem a zelar, pelo bem de sua irmãzinha querida, Mary...

Ela sentiu-se ofegante, e respirou fundo... foi paciente, e deixou-se acostumar com tal cheiro... era... muito "atraente!...

-
Não... não é o mesmo... esse sangue é ainda mais hipnotizante... no mínimo, metade dos vampiros desse local devem estar enlouquecendo com este aroma penetr-----

Remilia engoliu as próprias palavras.... uma preocupação subiu-lhe a espinha no exato instante em que se tocou; o fato de não ter sentido antes, mesmo sendo tão forte, fora porque estava tranquila, estável, distraída e relaxada demais para sentir a fragrância proibida... sua serenidade para com a música anteriormente tomara-lhe atenção e vontade, deixando seus sentimentos por cima dos desejos instintivos... por um momento, fora menos vampira e mais... "alguma coisa"... Mas agora, o cheiro vinha com tudo... entorpecendo-a aos poucos... e foi quando lembrou...

-
Aquele rapaz... fora por isso que saiu... ghn... Remilia, como você é burra... preciso fazer algo quanto a esse cheiro de sangue impregnado no ar antes que... Ghn...!

Lembrara de todas as memórias que esse cheiro trazia... perdia um pouco de sua compostura com as feridas ainda não cicatrizadas do passado...
Põe a mão sobre o piano e se levanta; mentaliza alguns instantes, para manter a cabeça no lugar.

Era um fato: Remilia já não bebia sangue há muito tempo... mesmo possuindo controle total sobre suas ações, seu estado se encontrava sensível para tal situação, ainda mais tendo em vista que encontrara uma humana com um cheiro quase tão forte quanto esse... a tentação era demasiada até para uma Puro-Sangue como ela.

-
Preciso me mobilizar o quanto antes... que infortúnio!

Ela sai da sala, correndo de leve com o guarda-sol em seu braço direito.

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Zetbrake

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Re: Sala de Música I

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