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Mensagem por Convidad em Sex Abr 06, 2012 6:33 pm


    O copo de refrigerante borbulhava sobre a mesa ao lado de um sanduíche que exibia apenas uma mordida e marcas de um batom rosado. Sara sabia que devia comer mas havia perdido a fome, a preocupação não dava espaço a nenhum outro sentimento naquele momento.

    Ela correu os olhos pela cafeteria quase vazia do colégio, havia paenas um casal no canto, próximo à janela, ambos ruivos, ambos com o uniforme do turno diurno e agora outro casal passava pela porta dupla, a garota com o uniforme do turno noturno, o garoto com uma roupa menos formal, calças jeans escuras e uma jaqueta de couro. Talvez como Sara ele não tivesse tempo de ir ao dormitório para trocar de roupa antes da apresentação que o direitor faria para iniciar o ano.

    Por um momento a energia do rapaz chamou a atenção de Sara, a aura tão familiar, tão similar a dela. Ele também era um mestiço, um filho de um humano com um vampiro de sangue puro. Seus cabelos platinados cobriam olhos de um intenso azul e sua pele pálida lembrava o gelo. Ainda assim ele tinha uma beleza que atrairia qualquer um, mas Sara não prestou atenção nisso naquele momento, principalmente pelo fato dele estar acompanhado de uma garota de longos cabelos tingidos com mechas rosas e corpo de bailarina. Sara desviou o olhar e voltou a encarar seu lanche comido e seu celular.

    Ela apertou o botão central e a tela de seu iphone se acendeu. No plano de fundo, a imagem da garota abraçando seu pai por trás, pelos ombros. Pareciam estar num parque, o fundo verde e o céu azul. Ela era abraçada pela cintura pela mãe, os três numa posição divertida para o fotógrafo.

    Ela sorriu ao ver a imagem, sempre sorria, mas seu sorriso sumiu ao perceber que não havia nenhuma notificação de e-mail ou de mensagem, provavelmente seus pais ainda não tinham aterrissado em Tókio e não tinham lido a mensagem de que Sara havia chegado ao Canada.

    Depois da festa de despedida organizada por seus amigos no aeroporto internacional de Madri, Sara havia ido com os pais até a área de embarque, seus pais deixando-a no portão de onde seu havia se preparara para partir. Aquela seria a primeira vez longe de casa, longe das duas pessoas mais importantes em sua vida, longe dos amigos.

    A decisão fora tomada em conjunto, embora fosse difícil do mesmo modo. Sara estava indo para um internato em Whistler, do outro lado do oceano. Com o conselho enfrentado grande instabilidade política, com as contantes visitas de caçadores e de políticos em sua casa, Fernando Augustine decidira que era hora de Sara traçar seu próprio caminho. Como mestiça ela conhecera apenas o mundo dos humanos, sempre protegida de sua sede pois o pai sempre lhe cedia seu precioso sangue de vampiro puro. Sara não conhecia o outro lado, o outro mundo ao qual também pertencia, mas depois do incidente que ocorrera era algo necessário a se fazer.

    O internato para o qual Sara estava sendo enviada era uma escola especial, para alunos ricos de ambas as sociedades, embora os humanos sequer suspeitassem da existência de criaturas como os alunos do turno noturno. O intuito era ensinar aos amaldiçoados conviverem com os humanos, frearem seus instintos e Fernando acreditava nisso, acreditava que aquele caminho seria o melhor para tirar Sara da frustração de não usar seus poderes e ajudaria ela a entender melhor que os dois mundos que conviviam dentro dela também poderiam conviver pacificamente fora. Utopia pura. O que Sara aprenderia naquele lugar apenas reafirmaria o que todos os amaldiçoados diziam: somente os puros deveriam existir.

    Pelo pouco que convivera com o seu lado obscuro, com os mesmo de sua espécie, embora muitos desdenhassem ela por ser fruto de um amor proibido, Sara tinha em mente que as palavras bonitas do pai existiam apenas na mente dele, mas ela não o decepcionaria dizendo ao contrário ou não acatando suas ordens, também não seria rebelde e preocuparia sua mãe. Se eles achavam que ela estaria segura naquele lugar, que seria bom, ela estava disposta a ir.

    Com suas malas prontas ela tentava imaginar como seriam seus novos caminhos e assim que colocou os pés naquele lugar ela percebeu que nada além do que ela conhecia poderia acontecer. Seria desprezada, mas saberia se impor, não deixaria que aqueles vampiros que consideravam o amor entre um deles e um humano algo como um pecado falarem que ela nada valia. Ela sabia o que valia, por isso ela preferia aos humanos, aos mundanos como muitos vampiros gostavam de dizer. Humanos eram doces e gentis, amavam desesperadamente pois sabiam que sua vida teria um fim, mas vampiros... sentimentos frios, cruéis, mesmo vivos pareciam estar mortos em suas eternidades, em seus conceitos de séculos de tradição. Ela não ligava para isso, assim como Fernando fizera, desprezando as regras e casando-se com Clara.
    Clara... sua mãe era quem lhe deixava mais preocupada quando seus pais viajavam para o conselho. Se Sara era desprezada por ser uma mestiça, Clara era escurraçada por ser uma ex-humana, uma vampira transformada, mil vezes mais impura do que Sara e era por isso que a jovem vampira aguardava com tanta ansiedade uma mensagem de seu pai, ou mesmo de sua mãe.

    O motivo para a ida de Fernando a Tókio também era motivo de preocupações, afinal ao que parecia, pelo pouco que ouvira esocndida atrás da porta da grande biblioteca de sua mansão em Madri, o conselho estava passando por problemas, instabilidades dentro da política do mundo dos amaldiçoados, enlouquecimento de um dos importantes membros da corte e Fernando como um vampiro de sangue puro tinha que comparecer e dar seu voto sobre o destino do membro enlouquecido.

    De qualquer modo nenhuma mensagem chegara e ela estava cansada de ficar ali com seu lanche gelado e seu refrigerante quente. Talvez ela devesse aproveitar a tarde e conehcer o internato, o lugar era grande, muito maior do que ela poderia imaginar, três imensos prédios, tão antigos como sua mansão de Madri, mas com instalações modernas, certamente tentando agradar aos vampiros e humanos que ansiavam por luxo.

    Sara guardou o celular no bolso de sua saia jeans e se levantoum recolhendo o que restara de sua tentativa de almoço e colocando sobre a bandeja, caminhando até a lixeira.

    Uma pequena discussão parecia ocorrer na mesa onde estavam os dois alunos do turno diurno, o casal que entrara por último estava parado ao lado da mesa e a menina de cabelos rosa parecia discutir algo com o garoto ruivo sentado, saindo logo em seguida, esbarrando no garoto que a acompanhava.

    Ele se virou para seguí-la, suas mãos tentando alcançá-la, mas quando a menina com jeito de bailarina passou as portas duplas ele pareceu desistir.

    "Ainda bem que já estou de saída" - Sara pensou, panhando o seu refrigerante da bandeja e dando um último gole antes de jogar tudo fora. ela colocou a bandeja sobre a lixeira e então virou-se para sair da cafeteria.

    O celular em seu bolso vibrou e ela apressadamente o retirou, desbloqueando o menu, sorrindo ao perceber que chegara um e-mail.

    Ela apressou-se em abrir a mensagem, ainda caminhando, bufando ao ver que era apenas uma dessas propagandas, de um site de viagens que o pai cadastrara a família.

    - Droga! - ela exclamou e no instante seguinte seu corpo pareceu bater contra uma parede, o celular escorregando de sua mão enquanto ela caia sentada no chão - Mas qual o seu problema?! - ela então ergueu o olhar para quem quer que fosse que estivesse parado no meio do caminho, seus olhos subindo pelo longo par de pernas vestidos num jeans preto e pela jaqueta de couro. De costas para ela o outro vampiro mestiço encarava a porta.

    Ele virou-se lentamente e Sara sequer o olhava, estava preocupada com o celular que havia caído, preocupada se o aparelho havia sido danificado.

    - O que você disse garota? - ele perguntou, inclinando o corpo para frente enquanto Saras e levantava e massageava o joelho que havia batido no chão. O celular tivera mais sorte, estava intacto - Eu não tenho culpa se você não olha para frente - ele semicerrou os olhos. Estava mau humorado com Marina, a garota de cabelos rosas, ela o havia feito de idiota e agora o deixara falando sozinho, talvez fosse bom aquela vampira diante dele não o provocar.

    Vampira... não, era muito chamá-la assim, ela era como ele, uma mera mestiça, mas o ar superior dela, a sobrancelha erguida e o sorriso debochado ao ouví-lo pareceu mexer com algo dentro de Raphael.

    - sério, não tenho nada a ver com seus problemas com sua namoradinha, foi você quem ficou parado feito idiota - ela respondeu sem conseguir conter a língua. A culpa fora dele afinal, além disso era ele quem estava ali bloqueando a passagem - Por que simplesmente não a segue? - Sara o encarou do mesmo modo como ela e encarava, de olhos semicerrados, sem se intimidar com a postura daquele estranho. Ela lembrou-se dos vampiros que visitavam seus pais, do modo arrogante como eles a olhavam e olhavam para sua mãe. É, o olhar daquele mestiço lembrava muito o olhar deles.

    - Namorada? - Raphael quase cuspiu a palavra. Marina poderia ser qualquer coisa sua, menos uma namorada - Até poderia procura-la, mas eu não sou o problema dela - deu de ombros, o problema dela era o ruivo ali na mesa, então eles que se virassem - Não tenho culpa se ela tomou um par de chifres, aquela imbecil poderia ao menos ter me poupado do ridículo - ele resmungou, desviando o olhar de Sara para o outro casal. O ruivo se levantava, talvez estivesse indo atrás da outra garota.

    - Que seja, agora pode sair do caminho? - Sara não queria conversar com aquele garoto, sua postura arrogante e o modo cheio de desprezo com o qual falou da outra garota a deixou enojada.

    Raphael estava levando uma das mãos ao bolso, mas parou o gesto na metade, erguendo a mão e segurando com força no braço de Sara, seu toque frio a fazendo estremecer. ele a puxou de lado e depois a empurrou em direção à saída.

    - Agora seu camiho está livre, milady - ele disse num tom cheio de sarcasmo, fazendo uma pequena reverência e então enfiando a mão no bolso e retirando um maço de cigarros amassados e um isqueiro, acendendo-o enquanto encarava Sara, ela parecia indignada, talvez até surpresa por alguém como ela trata-la daqele modo, mas isso também não era problema de Raphael.

    Ele tragou seu cigarro e soprou a fumaça lentamente, emdireção a ela.

    - Seja mais educada e diminua essa expressão idiota em seu rosto. Não deveria estar chocada, afinal sendo o que é deve estar acostumada a ser... jogada - ele disse, tragando novamente seu cigarro.

    Quem aquele vampiro achava que era? Sara sentiu seu rosto se aquecer e sua garganta arder, mas não era sede, ela jamais sentira sede. A raiva e as lembranças se agitaram dentro dela, raiva do seu próprio passado, raiva de alguém que tinha o mesmo conceito que aquele ali diante dela, que achava que ela era algo a ser "jogado".
    Como fora a frase que o vampiro que a salvara e salvara sua ama usara? "Sua fraqueza só prova que seu sangue impuro para nada serve! Só a salvei porque respeito seu pai apesar de tudo."

    - Seja menos idiota e diminua essa expressão arrogante e quem sabe você seja mais bem tratado não só por sua amiga, mas pelos demais. Porque na verdade o único que foi "jogado" aqui foi você - ela abanou o ar em frente ao rosto, afastando a fumaça fedorenta.

    Raphael olhou o cigarro na ponta dos dedos e o soltou, pisando sobre ele e se aproximando de Sara. Ela manteve o rosto erguido, não parecia nenhum pouco intimidada por ele, talvez fosse hora de mostrar alguma coisa a mais.

    - Escute - ele sussurrou e então num movimento rápido ergueu a mão espalmada, acertando o ombro dela com força, fazendo-a recuar para trás e bater contra as portas duplas, saindo da cafeteria. Ele a seguiu, um sorriso afiado moldando-se em seus lábios, expondo longas presas. Ele soltou as portas e avançou sobre Sara, agarrando o braço dela, empurrando-a novamente em direção à parede - Você nem ao menos me conhece, não ouse falar assim comigo. Eu só estava parado e o problema é meu - ele egueu a outra mão e segurou ambos os braços da vampira, sacudindo-a com força, inclinando-se então sobre ela e sussurrando em seu ouvido - Não queira começar uma guerra comigo, eu não costumo jogar com tréguas - ele diminuiu a pressão que fazia sobre os braços dela, deslizando suas mãos até alcançar as mãos dela. quem visse de fora talvez encarasse os dois como um casal discutindo e agora ele estaria prestes a pedir desculpas- Agora pare - ele completou.

    Sara respirou fundo. Parar, sim talvez aquilo fosse o melhor a fazer, mas aquele vampiro era como ela e ela não precisava se submeter aquilo, ela não se submeteria aquilo. Se ele achava que com um pouco de intimidação ganharia algo ele estava enganado. Sara tinha plena consciência que se deixasse ele fazer isso uma vez ele passaria sempre a humilhá-la.

    - Covarde - ela sussurrou de volta enquanto ela afastav seu rosto do dela, seus olhos castanhos fixos na imensidão azul - Desculpe-me, mas se em seu mundinho querido onde apenas seu imenso ego habita você se sente respeitado eu não posso fazer nada, simplesmente porque eu não faço parte do seu mundo e nem você do meu, você não passa de nada para mim! - ela afastou as mãos dele num gesto ríspido - Você é como costumam dizer e eu não estou falando de vampiros, mas de um temro geral, aquela mosca do coco do cavalo do bandido - Sara sorriu, outro sorriso debochado, ela realmente não ficara nenhum pouco intimidada com aquilo - Agora me dê licença - ela empurrou os ombros dele, afastando-o e então virando-se de costas, seguindo pelo corredor enquanto ria. Fosse quem fosse aquele outro mestiço era patético, era o tipo de vampiro que justificaa o desprezo que os demais tinham pelos mestiços.

    Mal havia dado alguns passos quando um vulto passou por ela e mais uma vez ele estava a sua frente, barrando seu caminho.

    Ele a segurou pelo pulso e abriu a porta do que aprecia ser a dispensa da cafeteria, jogando-a la dentro, entrando em seguida e cerrando a porta de ferro.
    - Eu não gostaria de matar ninguém, mas você está praticamente implorando por isso e eu não gosto de ver uma vadia implorando - Raphael se aproximou dela, deixando-a sem saída já que a porta estava atrás dele. A dispensa era um cubílo com caixas e paletes, não havia sequer janelas.

    Num movimento rápido ele se lançou sobre Sara, prendendo seus pulsos com apenas uma mão enquanto com a outra agarrava a nuca dela, segurando-a com firmeza, obrigando-a a erguer o rosto.

    A sensação dos dedos do vampiro sobre a pele quente lembrava muito o gelo, lisos, frios, o simples toque queimava, como se ele fosse feito de gelo. Seria aquele o dom dele?

    Sara virou o rosto, tentando se livrar das mãos dele, tentando soltar seus pulsos, mas ele a empurrou para trás, forçando a bochcha dela contra a parede de pedras, arranhando sua pele delicada.

    - Sei que está com raiva porque acha que somos iguais, mas não somos, eu não mancharia a supremacia de minha família pensando desse modo - ele murmurou, forçando seu corpo contra o dela, deixando-a completamente imóvel - Agora fique quietinha, ao menos como refeição você deve servir - ele inclinou-se sobre o pescoço dela, seus lábios descendo do lóbulo da orelha até a jugular, as presas cravando-se ali de um modo nada gentil.

    Um rosnado baixo escapou de Sara e ela tentou se mover, empurrá-lo, erguer o joelho e acertá-lo, mas ele continuou imóvel.

    Os movimentos que fazia para se livrar dele apenas a feriam mais, seu rosto arranhando=se mais na parede nua da dispensa, seu corpo sentindo mais frio com a proximidade dele. Certamente o poder dele estava relacionado ao gelo, pois estar sob ele era como estar deitada num lago congelado.

    A dor em seu pescoço espalhou-se pelo ombro e Sara decidiu parar de se mexer. Havia um outro modo de se defender dele, ela só esperava que desse certo dessa vez.
    Se ele queria o sangue dele então ele teria, mas teria a maneira dos Augustine.

    Dois longos goles e ele a soltou, afastando-se, suas mãos então segurando os ombros dela, seu aperto congelante começava a fazer o corpo de Sara tremer, misturando-se a expectativa do que estva prestes a fazer.

    Ele sorriu, erguendo a mão e tocando na bochecha ferida dela, talvez satisfeito com o resultado de sua intimidação. Será que ele sorriria depois do que ela faria?
    Seu pensamento foi cortado, a mão dele agora deslizava por seu rosto e ela sentiu sua pele ficar úmida. O que era aquilo na ponta dos dedos dele? Gelo. cortante e frio, desliando pela bochecha dela num gesto rápido, três peuqenos cortes surgindo, misturando-se aos arranhões causados pela parede de pedra.

    - E agora, o que faremos? - ele se aqfastou, abrindo os braçose dando alguns passos para trás, encostando-se à porta fechada - O que você vai dizer agora? Vamos, sua brincadeira está perdendo efeito.

    - Vais e arrepender seu bastardo - Sara murmurou, fechando os olhos e levando a mão ao pescoço, sentindo os dois furos, o sangue quente manchando seus dedos. O poderoso sangue de seu pai, um vampiro que seria capaz de esmagar os dois com apenas um olhar.

    Sara encostou as costas na parede, cicatrizando seu rosto e seu pescoço, encarando Raphael de frente, seus lábios fechados numa linha reta. Guerra, então era assim que se fazia inimigos no mundo das trevas? Apenas por dizer o que pensava?

    - Você vai vomitar cada gota de sangue que engoliu... e muito mais - ela disse pausadamente cada palavra e o sangue que manchava seus dedos simplesmente sumiu - Vai vomitar até cuspir seu ego!

    Dentro do corpo de Raphael o sangue pareceu pesado, difícil de correr por suas veias. Sara sabia que estava jogando alto, mas ele era do mesmo nível que ela e aquela acriatura arrogante merecia uma lição.

    Mais pesado e então ele podia sentir como se pedacinhos de pedra passassem por suas veias, causando uma dor terrível, principalmente em seu estômago. Sara ficou ali observando as reações do vampiro aquilo, se preparando para a revolta que certamente viria.

    "Por favor papai, me proteja..." - ela pensou, se encostando ainda mais contra a parede. O poder dele era o gelo, era um elemento perigoso, mas agora os dois estavam ali e não tinha mais como fugir.

    O corpo de Raphael curvou-se para frente e ele levou as mãos ao peito e a garganta, sentindo-se sufocado, sentindo o sangue que engolira endurecer, se transformar em mil agulhas, preenchendo a boca dele com um gosto amargo e metálico. Um pouco do sangue da mestiça agora voltava para sua boca, escapando por seus lábios.
    Raphael percebeu que cometera um grande deslize, talvez algo que não o desse oportunidade de fugir ou voltar atrás. Sara controlava o sangue, o elemento mais poderoso, afinal era exatamente disso que vampiros viviam.

    Ele ergueu o rosto e fitou Sara, seus joelhos dobrando-se, a sensação de dor aumentando e se espalhando por seu corpo, mas do mesmo modo que começara, diminuira e sumira.

    Os lábios de Sara tremiam e o suor escorria por sua testa, suas mãos suspensas no ar tremiam, ela parecia estar fazendo um imenso esforço para usar de seu ataque.
    Raphael cuspiu no chão, diante dos pés dela, erguendo-se e avançando contra Sara, suas mãos congelando sobre os ombros da vampira, a pressão começando a esmagar os ossos.

    - O que foi? Desistiu? Acha que com um truquezinho assim vai me parar sua vadia? - os lábios dele estavam sujos de sangue, gotículas respingavam no rosto de Sara enquanto ele falava, tão próximo que ela sentia o hálito frio em seu rosto.

    Falhara. Como sempre, apesar de todo seu esforço, seu poder falhara. Desde que nascera Fernando e Clara haviam feito uma opção, algo qu achavam que seria o suficiente para proteger Sara de sua própria natureza.

    Acharam que selando seus poderes vampíricos, acalmariam a sede e Sara poderia conviver entre humanos, entre pessoas que jamais sonharam quem ela realmente era.
    Sara sempre soube que era diferente e mesmo com o selo alguns de seus dons despertaram, mas apenas porpoucos segundos ela conseguia manter o controle.

    - Inútil, todo esse indício de ataque foi a coisa mais inútil que vivenciei em toda a minha existência - Raphael soltou um dos ombros dela e limpou a boca com a mão fehcada em punho, ele usou o memso punho em seguida para atingir o ombro livre da vampira, fazendo o gelo quebrar, fazendo uma dor intensa se alastrar pelo braço de Sara.

    Ele poderia mata-la, estraçalhá-la, mas não seria naquele momento.

    Sara mordeu os lábios,s egurando a dor, tentando livrar-se da outra mão de Raphael, empurrando o peito dele e o socando em seguida. Ela iria lutar, mesmo que estivesse em desvantagem.

    Raphael riu, até mesmo os murros que ela lhe davam eram como piada, batendo os punhos em sua pele fria e dura como mármore, o que ela pretendia com aquilo?
    Ele lançou um olhar de desdém sobre ela, passando a língua pelos lábios. ao menos o sangue que sorvera tinha um gosto bom, bom até demais para uma cadela barata como aquela. Talvez ele pudesse se divertir.

    - He, você foi muito tola - ele se afastou dela, virando-se de costas e abrindo a porta, saindo sem dizer mais nenhuma palavra.

    Sara apoiou-se na parede, levando uma das mãos ao ombro ferido. Não havia cortado, mas o osso havia se partido. Por sorte estava bem alimentada, seu ai lhe dera bastante sangue antes de deixá-la e isso a ajudaria cicatrizar facilmente aquele ferimento. Mas o problema não era esse.

    Algo lhe dizia que as coisas não acabariam ali, que aquilo não seria o final, mas sim o começo. Raphael ainda cruzaria seu caminho, mas nada lhe dizia o que ele iria fazer, ninguém poderia dizer.

    "O que fiz?" - Sara passou a língua pelos lábios,s entindo-os secos e salgados pelo suor. Afastou-se da parede e então saiu pela porta que ele deixara aberta, não sem antes checar o corredor. Ele não estava lá, ela não podia sentir sua aura.

    "Tudo bem, talvez... talvez eu devesse pedir desculpas... talvez seja melhor por um fim a tudo isso..." - ela pensou, suspirando, estremecendo ao sentir o gelo derretendo em sua roupa, deixando-a molhada.

    - Droga... - ela murmurou, tirando a jaqueta jeans que usava e ficando apenas com a camiseta branca que caia de seu ombro.

    Um sinal tocou, chamando os alunos para o pátio principal. O direitor chegara e agora queria reunir a todos. Talvez fosse melhor esperar um pouco a poeira baixar, mesmo porque apesar de ter pensado na possibildiade de se desculpar não era realmente aquilo que ela queria fazer. Raphael era arrogante e prepotente, o tipo de pessoa que Sara odiava.

    *************************

    O pátio estava lotado, os dois turnos reunidos. Aquele colégio realmente era grande e muitos estudantes estavam inscritos. Pais sem tempo, procurando a melhor educação apra seus filhos, sem sequer imaginar o que as paredes daquele velho internato escondiam realmente.

    Sara olhou em volta, algumas pessoas retribuiam seu olhar, sorrindo e acenando e era claro que essas pessoas eram humanos. Os alunos do turno noturno, aqueles que sabiam quem ela era realmente, faziam questão de ignorá-la, de demonstrar desprezo e superioridade que não tinha, afinal todos estavam ali pelos mesmo objetivo não?

    Sara suspirava toda vez que um deles lhe virava a cara e logo um grupo de alunos se aproximou dela, eles traziama lguns folhetos que anunciavam os clubes e as vagas, os grêmios. Já estavam fazendo suas campanhas sem o ano sequer ter começado. Sara apanhou alguns folhetos, rindo com o entusiasmo, se apresentando para eles, tentando guardar seus nomes enquanto todos falavam juntos, os mais diversos sotaques. Ela sentiu saudades de seus amigos da Espanha, seu coração se apertando no peito.

    Seus olhos correram os folehtos coloridos enquanto o grupo arrumava uma nova vítima para seu ataque divertido, um deles lhe chamando a atenção.

    "Clube de patinação no gelo..." - Sara mordeu o lábio inferior - "isso parece ser interessante!" - ela ainda lia as informações no folheto, onde deveria se inscrever quando uma sombra cobriu o sol e alguém se inclinou sobre o ombro dela.

    Dedos pálidos arrancaram o folheto de sua mão e a fumaça com cheiro de tabaco encheu o ar quando Raphael soltou uma longa baforada. Sara estremeceu ao sentir suas costas encostarem no peito dele, virando-se e o encarando com raiva e temor. O que ele queria?

    Ele sequer se deu o trabalho de olhá-la, seus olhos azuis corriam pelo folheto enquanto ele tragava o cigarro novamente. Fumar não era algo proibido dentro do colégio?

    Sara engoliu e mordeu a língua em seguida. Por que ele se aproximara dela daquele modo, quase a abraçando? Qual era o problema dele?

    - O que foi? Por que essa expressão incomodada? Um dos garotos do grupo estava quase em cima de você e você pareceu muito feliz - ele comentou sem tirar os olhos do folheto, como se lesse a mente dela - Já sei, você deve gostar disso, gostar de humanos - ele sorriu com um ar de desdém enquando guardava o folheto no bolso.
    Ela deu um passo a frente e estendeu a mão, prestes a tirar o folheto do bolso dele, mas parou ao sentir o ar gelado em volta dele. Ela ergueu os olhos castanhos encontrando o olhar arrogante dele.

    "Você não vai pedir desculpas, Sara?" - ela se perguntou e então deixou o ar escapar pelos lábios entreabertos.

    - Eu queria dizer... - ela começou, mas ele desviou o olhar dela para um grupo de garotas que passava, seu sorriso tornando-se afiado. Ela se virou para ver quem atraia a atenção dele.

    - Você gosta desses mundanos, era exatamente o que esperava de alguém como você. Mais uma que acredita na utopia desse lugar. Todos esses humanos aqui, todos nosso gado - ele sorriu para as garotas e acenou e elas retribuiram seu aceno, logo comentando sobre ele - Vadias - ele murmurou e então olhou para Sara.

    - O que você queria dizer? - ele ainda tinha aquele sorriso e aquele ar superior.

    Sara o encarou em silêncio, suas mãos se fechando em punho. Pedir desculpas? Não, aquilo realmente estava fora de cogitação.
    - Nada - ela conseguiu dizer entre os dentes e ele deu de ombros.

    - Melhor assim, pensei que você já ia se rastejar e me pedir desculpas, não ia ter graça! - ele riu baixo, rouco, assoprando mais fumaça contra o rosto dela - Ou uma história triste. Como foi com você? Seu pai ou sua mãe é um desses imundos? Aposto que é sua mãe, vadias humanas - ele apontou as meninas com um gesto de mão - Saímos em busca de sangue e elas abrem as pernas e então alguns de nós acaba... sendo idiota o suficiente para se apaixonar! Foi assim com meu pai - ele comentou e Sara sentiu o rosto corar.

    A raiva pareceu acender em seu sangue e ela ergueu a mão num gesto inconsciente. Quem aquele vampiro achava que era para para falar aquilo? Como ele podia falar daquele jeito da pópria mãe?

    Raphael segurou o pulso de Sara no ar, seu sorriso sumindo, seus olhos azuis fuzilando-a.

    - Não conte com a sorte duas vezes no mesmo dia garota - ele esmagou o pulso dela em um aperto de ferro e o empurrou, fazendo-a recuar um passo - Nâo me faça te matar aqui!

    Sara encarou Raphael, sentindo vontade de cuspir na cara dele, tamanho o nojo que as palavras dele provocaram, mas ela se conteve. Se ele queria irritá-la ela não alimentaria o desejo dele, o melhor a fazer era ignorar.

    - Melhor assim - ele disse e então soltou o cigarro no chão, soltando a última baforada para o lado eqnaunto pisava com a ponta do pé na bituca.
    Ele deu um passo a frente, esbarrando em Sara, tirando-a de seu caminho e então passou a andar pela multidão de alunos, Sara assistindo as costas largas se afastarem até se eprderem entre os outros estudantes.

    Longe dela Raphael tirou o folheto do bolso, junto com outro cigarro que colocou de lado na boca, enquanto tateava o bolso da jaqueta atrás do isqueiro.

    "Já sei onde te encontrar novamente vampira... e nós vamos nos encontrar... seu inferno começou hoje, não deveria ter cruzado meu caminho!" - ele pensou, acendendo outro cigarro. Aquela vampira havia pisado nos calos errados.

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